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Marcelo marca eleições que "todos dispensavam"

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De  Teresa Bizarro  com Lusa
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Marcelo Rebelo de Sousa anunciou as razões da dissolução do Parlamemnto numa comunicação em direto ao país
Marcelo Rebelo de Sousa anunciou as razões da dissolução do Parlamemnto numa comunicação em direto ao país   -   Direitos de autor  CARLOS COSTA/AFP

30 de janeiro. Marcelo Rebelo de Sousa anunciou esta quinta-feira à noite a data para as eleições legislativas antecipadas em Portugal. O Presidente da República escolheu o meio termo, entre os que, como Rui Rio, defendiam eleições logo no início do ano e os que, como Cavaco Silva, apontavam para o princípio de março.

"Uma semana e um dia depois da rejeição do Orçamento para 2022 encontro-me em condições de vos comunicar que decidi dissolver a Assembleia da República", afirmou numa comunicação transmitida em direto a partir do Palácio de Belém, em Lisboa.

Marcelo não esconde a crítica à oposição que não levou sequer as contas do Estado ao debate na especialidade . Sublinhou que o governo ficou a votar sozinho, sem base de apoio, numa altura em que o país dispensava mais crises.

"A rejeição deixou sozinho a votar o Orçamento o partido do Governo, a rejeição dividiu por completo a base de apoio do Governo mantida desde 2015. A rejeição ocorreu logo na primeira votação, não esperou pelo debate e discussão na especialidade, e menos ainda pela avaliação na votação final global", referiu.

Para o Chefe de Estado, as divergências foram "de fundo e "tão maiores que se tornaram inultrapassáveis, e que pesaram mais do que percurso feito em conjunto" e até pesaram mais do que a conjuntura nacional e internacional por causa da pandemia. Um desfecho que considera incompreensível para os portugueses.

"Nada de menos compreensível, penso eu, para o cidadão comum, que desejava que o Orçamento passasse, que esperava mesmo que passasse, que entendia que já bastava uma crise na saúde, mais outra na economia, mais outra na sociedade, e que por isso dispensava, estou certo, ainda mais uma crise política a somar a todas elas", disse.

De acordo com a Constituição, as eleições legislativas antecipadas têm de se realizar nos 60 dias seguintes à dissolução do parlamento – que só poderá ser decretada, por isso, a partir de 1 de dezembro.

A geringonça que em 2015 viabilizou o governo de António Costa desmantelou-se ao fim de seis anos. Portugal volta às urnas a 30 Janeiro depois de ter sido chumbado o Orçamento do Estado para 2022, logo na votação na generalidade, em 27 de outubro, com votos contra de PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e Iniciativa Liberal. Teve votos a favor apenas da bancada do PS e abstenções do PAN e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.