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Cabo Verde tem santuário para macacos

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De  Nara Madeira  com LUSA
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Calheta de São Miguel, Cabo Verde
Calheta de São Miguel, Cabo Verde   -   Direitos de autor  Euronews/LUSA

Gricha Lepointe trabalhou 25 anos na área da cooperação e também de assistência humanitária e um dia decidiu que queria fazer mais. Foi assim que nasceu a Associação Santuário dos Macacos de Cabo Verde, em Calheta de São Miguel, a cerca de 40 minutos da cidade da Praia, um refúgio num país onde não há uma cultura de preservação destes primatas.

Lepointe diz que o seu "sonho era ver os macacos soltos, numa reserva, felizes, com toda a segurança necessária. Poder dizer às crianças, hoje, que vão continuar a ver os macacos" em Cabo Verde, porque eles fazem "parte da biodiversidade (...) __Se continuarmos a matar os macacos, a negligenciar os macacos, se não houver um projeto de proteção, eles vão desaparecer, pouco a pouco", afirmava este francês de 57 anos.

Há sete anos que cuida dos macacos neste país lusófono mas os desafios são ainda muitos, como o próprio refere: "r__ecebemos já muitas chamadas de pessoas na Praia para ir apanhar os macacos que estão soltos na cidade, que escaparam das casas. Infelizmente, até agora não temos a capacidade técnica e logística para fazer isso. Mas tudo isso faz parte deste projeto", conclui o gerente do "Morgana Ecolodge".

Numa segunda fase espera-se ser possível pensar na reintegração. "Infelizmente, (...) em Cabo Verde, não existe ainda uma reserva natural", diz Lepointe, se existisse, seria possível pensar na "reintegração" dos macacos, enquanto grupo.

Chegaram a Santiago com os primeiros colonizadores mas tornaram-se uma espécie endémica. Hoje, é a expansão da agricultura que ameaça a sobrevivência do chamado macaco verde porque é considerado um predador. "Os macacos provocam muitos danos nas zonas agrícolas", explica, porque procuram comida. "A única resposta que existe hoje para este problema é matar os macacos”, lamenta. A principal questão é que o aumento da área agrícola diminui o seu território o que os obriga a procurar alternativas à sobrevivência.

Mas há outros desafios, este primata é visto como animal de companhia, quando é bebé, o que leva à morte dos progenitores. Só que as crias tornam-se adultas e acabam, também elas, abandonadas.

O santuária cohabita com um espaço de ecoturismo, o primeiro do género no país. Uma experiência que presupõe a preservação da biodiversidade, de turismo sustentável, e que permite aliar o negócio a uma missão: a de dar assistência imediata a macacos feridos, órfãos ou abandonados.

Editor de vídeo • Nara Madeira