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Museu Uffizi em Florença defende identidade feminina

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Museu Uffizi em Florença defende identidade feminina
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Beleza Intensa e vivacidade. Era assim que o grande escultor barroco Gian Lorenzo Bernini caracterizava Costanza há quatro séculos, mas alguns meses depois de ter feito o busto da amada, desfigurou-a. A razão: ciúmes.

Para celebrar Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, o Museu Uffizi, em Itália, decidiu narrar a história de mulheres abusadas através de esculturas e imagens, porque a arte pode relembrar o passado e ajudar-nos a mudar o futuro.

Serve para sensibilizar as pessoas que encaram esta situação como sendo apenas notícias de crimes que se lêem nos jornais, se ouvem na rádio ou se vêem na televisão. Aqui também se vê a beleza extrema, a vivacidade da pessoa e depois o ataque à sua própria vida e identidade.
Eike D. Schmidt
Diretor do Museu Uffizi

No século XVII foi utilizada uma faca, hoje em dia é comum recorrer ao ácido, mas o alvo continua a ser o mesmo: o rosto da mulher, a sua identidade e liberdade.

Costanza foi desfigurada a mando do artista por causa de um amor não correspondido; pediu a um dos seus criados para o fazer. Passaram quase quatro séculos desde essa altura e apenas algumas coisas mudaram, mas a essência continua a ser a mesma: os homens consideram as mulheres e o corpo da mulher como sua propriedade.
Luca Palamara
Euronews

Ao todo, 103 centros ajudam mais de 20 mil mulheres vítimas de violência todos os anos, em Itália. Mulheres que fogem da violência doméstica e dos abusos. Oferecem-lhes abrigo e proteção, para que possam conquistar a autonomia e a liberdade. Mas antes de mais, as mulheres devem ser ajudadas para conseguirem dar o primeiro passo.

A cultura desempenha um papel fundamental, o ambiente sexista e de opressão ainda domina a vida e a liberdade das mulheres - quatro séculos depois da beleza de Costanza ter sido arruinada, pela violência de um homem.