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Protesto contra medidas anticovid provoca o fecho de três fábricas de automóveis

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De  Francisco Marques
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Protesto bloqueia Ponte Ambassador, entre Windsor e Detroit
Protesto bloqueia Ponte Ambassador, entre Windsor e Detroit   -   Direitos de autor  Nicole Osborne/The Canadian Press via AP

Agrava-se a tensão entre as autoridades do Canadá e o movimento "Comboio da Liberdade", com a polícia a ameaçar com prisão os manifestantes que insistem em bloquear a crucial Ponte Ambassador, um dos principais pontos de ligação comercial entre o Canadá e os Estados Unidos, responsável por 25% do comércio entre os dois países.

O bloqueio da ponte, respetivamente entre Otava/Windsor e Detroit, iniciado há três dias levou já à paragem da produção em três fábricas, de acordo com presidente da Associação Canadiana de Fabricantes de Automóveis.

A Ford Motors, a General Motors e a Stellantis NV são as fábricas agora afetadas pelos protestos, um problema que se vem somar ao da escassez global de microchips, que já afeta o setor por todo o mundo há pelo menos dois anos.

O abastecimento de alimentos e medicamentos entre ambos os países também está a ser atrasado, o que está já a prejudicar também famílias de ambos os lados da fronteira.

O protesto apelidado como "comboio da liberdade" iniciou-se a 28 de janeiro, no centro de Otava, contra a obrigação de vacinas anticovid e as restrições para conter o vírus.

A manifestação alastrou, entretanto, para a importante ponte Ambassador, com muitos camiões a bloquearem a travessia, denunciando dificuldades em trabalhar devido à obrigação de vacinação contra a Covid-19, que recusam.

Alguns camionistas alheios ao protesto e que pretendem continuar a trabalhar estão a fazer desvios que lhes custam mais cinco horas do que no habitual trajeto e mais despesas no serviço.

Exige-se liberdade para circular, em especial na fronteira com os Estados Unidos, mas, entretanto, o alvo dos protestos mudou um pouco.

Bernhard Rempel é camionista e aderiu ao "comboio da liberdade" em clara oposição ao atual primeiro-ministro do Canadá. "Nunca fui a favor de Justin Trudeau desde que ele assumiu as funções e apenas lhe quero dizer – Justin, se está a ver-me – quero que se demita. Quero que se vá embora", exigiu este manifestante.

(Nicole Osborne/The Canadian Press via AP
Manifestantes mantém-se firmes e animados no protesto(Nicole Osborne/The Canadian Press via AP

Contudo, o chefe do Governo canadiano, reeleito no ano passado, mantém-se firme. Já resistiu a um escândalo em que foi acusado de interferir com a justiça, que o obrigou a antecipar eleições, e também não parece ceder agora perante um protesto que já começa a pesar na economia do Canadá e no dia a dia das famílias.

Não se pode travar uma pandemia com bloqueios, por decreto nem com leis.

Precisamos acabar com pandemias confiando na ciência, com medidas de saúde pública e com vacinas.
Justin Trudeau
Primeiro-ministro do Canadá

No Parlamento, esta quarta-feira, o primeiro-ministro voltou uma vez mais, a defender a ciência e as restrições no combate à Covid-19.

"É exatamente nisso que temos estado focados nestes últimos dois anos", sublinhou Justin Trudeau perante os deputados.

Diversos ministros federais acusam os manifestantes de estarem a prejudicar o Canadá sem contudo avançarem com soluções para a crise, avança o jornal canadiano "National Post".

O ministro da Segurança Pública afirmou que os protestos estão já a provocar o "fecho de diversos negócios em Otava" e a "atrasar enormes volumes de tráfego".

"Deixem-me ser claro, aqueles que estão a participar no comboio estão a ferir os canadianos e representam um perigo sério para a economia. Estão a infringir a lei e ninguém está acima da lei", afirmou o ministro Marco Mendicino.

O ministro para a Gestão de Emergências exigiu o fim imediato dos protestos, que o jornal "The Globe and Mail" estima estarem já a custar 310 milhões de euros por dia ao Canadá.

"Há muitos atos criminosos, atos de violência e de desestabilização cometidos contra os cidadãos de Otava. Em resultado desses atos ilegais de bloqueio das nossas autoestradas de acesso a pontos de ligação com os Estados Unidos, estão a colocar o pé na garganta de todos os canadianos", afirmou o ministro Bill Blair, um antigo chefe da polícia de Toronto.

Outras fontes • AP, The Star, National Post