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ONU confirmou a morte de 1348 civis em Mariupol

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De  Euronews
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Destruição em Mariupol, Ucrânia
Destruição em Mariupol, Ucrânia   -   Direitos de autor  AP/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.

"Entre fevereiro e o final de abril, Mariupol foi provavelmente o lugar mais mortífero da Ucrânia" , foi assim que a chefe dos direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet descreveu a cidade portuária estratégica devastada pelas armas e agora ocupada por Moscovo.

Bachelet disse ao Conselho dos Direitos Humanos que "Até à data, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) verificou 1.348 mortes individuais de civis diretamente nas hostilidades em Mariupol, incluindo 70 crianças". "Estas mortes", disse, "foram causadas por ataques aéreos, bombardeamentos de tanques e artilharia e armas ligeiras e de pequeno calibre durante combates de rua".

A Alta Comissária considera, no entanto, que o número real de mortes de civis devido às hostilidades é provavelmente mais elevado em milhares".

Sem poderem entrar em Mariupol, os monitores das Nações Unidas recolheram informações de pessoas que deixaram a cidade e de imagens de satélite.

Michelle Bachelet relatou ainda que muitos dos que perderam a vida em Mariupol "foram mortos por bombardeamento, enquanto outros foram queimados ou sufocados em incêndios, que não puderam ser extintos devido à falta de serviços de incêndio disponíveis".

"Devido à escassez de água potável", conta a Alta Comissária, "as pessoas fizeram longas e perigosas viagens a poços ou reservatórios abertos para obter a água que podiam encontrar; outras ou foram forçadas a derreter a neve ou a beber água extraída de automóveis ou outros equipamentos".

Após três meses de combates, a Rússia tomou o controlo de Mariupol. Segundo Bachelet "as condições na cidade são terríveis. Os residentes têm acesso limitado aos cuidados médicos e outros serviços básicos e não podem sair e regressar livremente".

A intensidade e o alcance das hostilidades em Mariupol, "o principal campo de batalha da Ucrânia", indicam claramente que ocorreram "graves violações dos direitos humanos", disse Bachelet num discurso ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para discutir a situação na cidade portuária.

O Gabinete dos Direitos Humanos da ONU, que Bachelet dirige até 31 de agosto, estima que até 90 por cento dos edifícios residenciais foram danificados ou destruídos, bem como 60 por cento das casas particulares e, como resultado, cerca de 350.000 pessoas foram forçadas a fugir da cidade.

Nos telhados do teatro bombardeado, onde centenas de civis se escondiam, havia sinais que indicavam claramente a presença de crianças, Bachelet recordou no seu discurso de hoje.

A Alta Comissária apelou à segurança dos corredores humanitários na cidade, dizendo que o seu gabinete tinha recebido relatos de abusos e maus-tratos de civis que os utilizavam, bem como casos de separação familiar à chegada à fronteira.

Deve ser dada prioridade imediata à remoção de restos explosivos da cidade, bem como à recuperação, identificação e enterro decente de todos os restos mortais. "A Federação Russa deve cumprir todas as suas obrigações ao abrigo do direito internacional", concluiu Bachelet. 

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos advertiu que os horrores infligidos à população civil deixarão uma marca indelével nas gerações vindouras.