Portugal, a "Califórnia da Europa" onde nasce um novo sonho americano

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De  Euronews  com AFP
Nathan Hadlock e a mulher levam o seu filho ao infantário do parque Principe Real, em Lisboa, Portugal
Nathan Hadlock e a mulher levam o seu filho ao infantário do parque Principe Real, em Lisboa, Portugal   -   Direitos de autor  PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP or licensors

Chegam pelo sol, pela qualidade de vida e por uma perspetiva de futuro sorridente a investidores aventureiros. Chamam-lhe "Califórnia da Europa" e são cada vez mais os norte-americanos que atravessam o Atlântico para fazer de Lisboa casa. Um novo sonho americano está a nascer no oeste da Europa.

É também essa a história de Nathan Hadlok, atualmente a viver no bairro do Príncipe Real, em Lisboa, com a mulher e o filho de um ano.

"Queríamos abrandar e desfrutar mais das coisas. Por isso, fizemos uma lista dos dez melhores lugares do mundo e, com base nos nossos critérios, Lisboa rapidamente chegou ao topo", conta o empresário.

A capital portuguesa é uma das cidades que mais têm atraído estrangeiros provenientes dos Estados Unidos da América. Um estudo da plataforma imobiliária Idealista, relativo ao segundo trimestre de 2022, revela que os norte-americanos já lideram a compra de casas acima dos 300 mil euros, em Portugal, mantendo-se no pódio relativo aquisição de habitações de luxo.

A pandemia de covid-19 e as possibilidades do trabalho à distância abriram os horizontes a muitos destes novos residentes no país, que procuram não só um sítio tranquilo para morar, mas também um local para investir e estar próximo do mercado europeu.

E nem o fim dos vistos "gold", anunciado há dias pelo primeiro-ministro português, parece estar a colocar em risco esta vaga de migração.

Muitos norte-americanos estão a optar por pedir o visto D7, que concede autorização de residência a  titulares de rendimentos passivos, pensionistas, mas também cidadãos que pretendam trabalhar em Portugal.

Joana Mendonça, advogada na Global Citizen Solutions, especializada em ajudar investidores estrangeiros no país, revela que o perfil de quem chega dos Estados Unidos é variado, entre "nómadas digitais, que pretendem trabalhar a partir de cá, gostam da ideia de vir morar aqui perto do mar, por exemplo, e estabelecem-se cá; famílias inteiras que querem vir para cá, - muitas delas já a sonhar em ter os filhos em universidades europeias - e reformados, que vendem tudo o que têm nos Estados Unidos e decidem vir gozar a sua reforma em Portugal".