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Novas buscas no Parlamento Europeu horas antes da destituição de Eva Kaili

Presidente do Parlamento Europeu Roberta Metsola e a respetiva ex-VP Eva Kaili
Presidente do Parlamento Europeu Roberta Metsola e a respetiva ex-VP Eva Kaili Direitos de autor AP Photo/Jean-Francois Badias/European Parliament
Direitos de autor AP Photo/Jean-Francois Badias/European Parliament
De  Francisco Marques
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Procuradoria Federal Belga voltou à instituição para recolher dados essenciais à investigação. Qatar demarca-se do caso e Von der Leyen propõe comissão independente

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A Procuradoria Federal belga fez esta segunda-feira novas buscas no Parlamento Europeu, em Bruxelas, no âmbito da investigação ao caso de corrupção implicando a agora ex-vice-presidente da instituição Eva Kaili e alegadamente o Qatar.

Em comunicado, o gabinete dos procuradores federais da Bélgica revelou que "desde sexta-feira, os recursos informáticos de 10 funcionários do Parlamento foram congelados para prevenir o desaparecimento de dados necessários para a investigação".

"O objetivo das buscas desta segunda-feira no Parlamento Europeu era a apreensão desses dados", sublinha-se num comunicado, onde é detalhada a realização de "um total de 20 buscas desde o início da operação, incluindo 19 em domicílios e uma nos gabinetes do Parlamento Europeu".

A presidente da Comissão Europeia receia que as acusações contra Eva Kaili quebrem a confiança dos cidadãos nas instituições europeias.

Pedindo "regras mais claras", "mecanismos de controlo comuns" e "critérios apertados", Ursula Von der Leyen propôs a criação de uma comissão independente de ética para supervisionar o cumprimento da lei nas atividades da Comissão, do Conselho, do Parlamento, do Banco Central, do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas europeus.

Em véspera da sessão plenária prevista para hoje (terça-feira) em Estrasburgo, França, onde o caso implicando Eva Kaili e outros funcionários da instituição deverá dominar as conversas, a presidente do Parlamento Europeu apontou o dedo a uma rede de "agentes malignos" e prometeu uma investigação interna

"Os inimigos da democracia para quem a própria existência deste Parlamento é uma ameaça, não vão parar. Estes agentes malignos, ligados a países terceiros autocráticos, transformaram alegadamente em armas organizações não governamentais, sindicatos, indivíduos, assistentes e eurodeputados, num esforço para subverter os nossos processos. Os seus planos maliciosos falharam", assegurou Roberta Metsola.

A líder do Parlamento Europeu anunciou o lançamento de "um processo de reforma para verificar quem tem acesso" à casa dos eurodeputados e "como estas organizações, ONG e indivíduos são financiados e que ligações têm a países terceiros".

"Vamos pedir mais transparência nos encontros com agentes estrangeiros e com aqueles a quem eles se ligam. Vamos abanar este Parlamento e esta cidade, e preciso da vossa ajuda para isto", afirmou Metsola, garantindo que este escândalo "não será varrido para debaixo do tapete".

A eurodeputada grega Eva Kaili é o nome maior no alvo desta investigação. A socialista era uma das 14 vice-presidentes do Parlamento Europeu, acaba de ser destituída e é agora uma das quatro pessoas detidas no âmbito do QatarGate, nome pelo qual é já conhecido o processo pela suposta implicação ao país anfitrião do Mundial de Futebol.

No entanto, a Missão do Qatar junto da União Europeia divulgou uma declaração garantindo que "qualquer associação do governo do Qatar com as alegações relatadas é infundada e gravemente desinformada".

"O Estado do Qatar rejeita categoricamente qualquer tentativa de ser associado a acusações de má conduta", lê-se na declaração partilhada pelas redes sociais, onde o país anfitrião do Mundial de futebol garante "trabalhar através do compromisso instituição-a-instituição e operar em total cumprimento das leis e regulamentos internacionais."

Entretanto, o presidente francês confirmou a prometida deslocação ao Qatar para apoiar, na quarta-feira, a respetiva seleção de futebol na meia final do Mundial, num jogo contra Marrocos.

Emmanuel Macron já tinha apelado anteriormente à não politização do desporto, considerando na altura que as polémicas laborais, o impacto ambiental dos estádios do Qatar e os direitos das mulheres e das minorias naquele país deveriam ter sido colocadas quando a atribuição do torneio foi decidida.

Este recente escândalo europeu de corrupção envolvendo supostamente o Qatar levou alguns deputados franceses, nomeadamente Manuel Bompard, do França Insubmissa, e o ecologista Yannick Jadot a apelar ao boicote de Macron ao Mundial do futebol.

"É uma questão de apoio aos bleus, no que será um momento importante no desporto francês e na amizade franco-marroquina. É importante que o Presidente esteja presente para apoiar os jogadores da equipa francesa", afirmou um conselheiro de Macron, citado pela agência France Press, mas não identificado.

Na agenda oficial, no portal do Eliseu, às primeiras horas da manhã desta terça-feira, Emmanuel Macroin apenas tem previstas as presenças na conferência "Solidários do Povo Ucraniano" e na conferência franco-ucraniana para a resiliência e a reconstrução.

"A agenda do presidente da República não está ainda disponível para os dias seguintes", lê-se.

Outras fontes • France Press

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