Zelenskyy rejeita cessar-fogo e questiona motivos de Putin

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De  Euronews  com LUSA
Presidente Vladimir Putin a discursar no Ano Novo, na cerimónia de entrega de ordens militares e medalhas aos militares russos, Moscovo
Presidente Vladimir Putin a discursar no Ano Novo, na cerimónia de entrega de ordens militares e medalhas aos militares russos, Moscovo   -   Direitos de autor  ALEXANDER NEMENOV/AFP or licensors

Começa esta sexta-feira o cessar-fogo unilateral na Ucrânia, decretado pelo Presidente Vladimir Putin. Pela primeira vez, em mais de 10 meses de guerra, a ofensiva militar vai estar suspensa durante 36 horas. A partir do meio-dia, hora de Moscovo, e até à meia-noite de sábado, as tropas russas estão impedidas de progredir no terreno de combate.

A medida, decretada a pedido do Patriarca Kirill, o líder da Igreja Ortodoxa, para permitir a celebração do Natal ortodoxo, não será retribuída por Kiev

No seu discurso à nação, Volodymyr Zelenskyy justificou a decisão questionando os motivos por trás das tréguas.

"Agora querem usar o Natal como desculpa para impedir o avanço dos nossos homens no Donbass durante algum tempo e trazer equipamento, munições e soldados mobilizados para mais perto das nossas posições. No que é que isso vai dar? Em apenas mais um aumento das perdas", afirmou o presidente ucraniano.

Há um agressor: o Kremlin. E uma vítima: o povo ucraniano. A retirada das tropas russas é a única opção séria para restaurar a paz e a segurança
Charles Michel
Presidente do Conselho Europeu

As acusações de Zelenskyy encontraram já eco em Bruxelas. Nas palavras do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, as tréguas anunciadas pelo Kremlin são "falsas e hipócritas". 

Também a Alemanha desvalorizou a decisão de Putin. "Se Putin quisesse a paz, retiraria os seus soldados para casa e a guerra acabaria”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, numa mensagem no Twitter.

A descrença é igualmente partilhada pela Casa Branca. Para o presidente Joe Biden, Putin quer apenas "ganhar fôlego" com o anúncio do cessar-fogo.

“Ele (Putin) esteve pronto para bombardear hospitais, creches e igrejas (...) em 25 de dezembro e no Ano Novo (...) Acho que está a tentar ganhar fôlego”, disse Biden.

Alemanha e EUA reforçam apoio militar à Ucrânia

Sem um verdadeiro fim do conflito à vista, a Alemanha e os Estados Unidos da América (EUA) decidiram seguir o exemplo de França e deram luz verde ao envio de tanques para a Ucrânia.

O governo alemão autorizou também o envio de uma bateria de mísseis para os sistemas de defesa antiaéreos Patriot, já garantidos por Washington a Kiev.

O anúncio surgiu numa declaração conjunta dos dois países, após uma conversa telefónica entre o chanceler alemão, Olaf Scholz, e o Presidente dos EUA, Joe Biden.

Parlamento russo ameaça confiscar bens da Alemanha

Viacheslav Volodin, presidente do parlamento russo (Duma), ameaçou, esta quinta-feira, confiscar propriedades alemãs, se a Alemanha congelar ativos e contas russas para transferi-los para a Ucrânia, em retaliação pela invasão russa.

"Assim que esta medida for implementada [na Alemanha], faremos exatamente o mesmo em resposta a ações semelhantes da Alemanha e de outros estados", disse Volodin, alegando que esta decisão viola a legislação em vigor.

Volodin lembrou que algumas empresas alemãs fizeram grandes investimentos na Rússia no passado e culpou a Alemanha e a França por "iniciarem a guerra".