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Riga: o porto seguro de jornalistas russos no exílio

Vários jornalistas estabeleceram-se na Letónia por se sentirem ameaçados na Rússia desde que a ofensiva contra a Ucrânia começou
Vários jornalistas estabeleceram-se na Letónia por se sentirem ameaçados na Rússia desde que a ofensiva contra a Ucrânia começou Direitos de autor Jolanta Liepina / Euronews
Direitos de autor Jolanta Liepina / Euronews
De  Janis Laizans
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Capital da Letónia acolhe vários jornalistas com condições de trabalho ameaçadas desde o início da guerra da Rússia na Ucrânia

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Há anos que as autoridades russas estão determinadas a destruir a liberdade de imprensa, mas a luta tornou-se especialmente feroz e rápida após a invasão da Ucrânia.

De acordo com as leis locais russas, qualquer pessoa que classifique o que se está a passar na Ucrâniacomo "guerra" deve ser responsabilizada criminalmente.

“No início de março, nos primeiros dias depois da instauração da censura militar, a polícia de choque (OMON) veio até nós com armas e assustou todos os meus estagiários que estavam naquele momento na redação. Ameaçaram mandá-los para a frente de batalha no dia seguinte. Os estagiários são jovens, em idade militar. [A polícia] levou todo o nosso equipamento”, sublinhou, em entrevista à Euronews, Denis Kamaliagin, chefe de redação do jornal russo Pskovskaya Gubernia.

Kamaliagin continua a trabalhar no Media Hub, em Riga, que desde o início da guerra prestou assistência a mais de 500 trabalhadores dos meios de comunicação da Ucrânia, Bielorrússia, e, principalmente, da Rússia.

Nos primeiros meses da guerra, os jornalistas que trabalhavam na Rússia foram convidados a mudar-se para Riga pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia.

A estação de televisão alemã Deutsche Welle, os serviços russos da britânica BBC, o Washington Post e outros meios de comunicação abriram escritórios na Letónia.

Os principais meios de comunicação da oposição russa como o jornal online Meduza, o jornal Novaya Gazeta, a televisão Current Time e a Radio Free Europe/Radio Liberty, também estão agora baseados em Riga.

“Vemos Riga como um local estratégico a partir do qual podemos ouvir o que os russos pensam, inclusive os russos que estão no exílio. Ainda temos acesso a alguns dos nossos jornalistas e colegas que continuam a trabalhar sob um perigo bastante significativo da Rússia. Também nos dirigimos ao público que fala russo na Rússia, na Comunidade dos Estados Independentes, mas também na União Europeia”, ressalvou Elmars Svekis, da Radio Free Europe/Radio Liberty.

Com a guerra na Ucrânia, o fact-checking que refuta as mensagens de propaganda russa e o jornalismo investigativo tornaram-se vitais.

Para se comunicar com colegas e informantes na Rússia, os jornalistas usam ferramentas de comunicação anónimas e redes sociais.

“As vozes da Rússia são ouvidas. É muito necessário que sejam ouvidos. De certa forma, podemos tornar-nos na voz das pessoas que ficaram na Rússia, que não concordam com o que está a acontecer”, lembrou Timofey Rozhanskiy, jornalista da televisão Current Time.

Apesar de a Rússia restringir ativamente o acesso aos meios de comunicação independentes e de ameaçar aqueles que consultam ou visualizam essas publicações, os jornalistas estão confiantes de que o conteúdo que produzem atinge uma vasta audiência de milhões no país.

“Sabemos que, no ano passado, no início da guerra e no momento do anúncio da mobilização em setembro de 2022, todos os meios de comunicação independentes tiveram um número recorde de público. As pessoas estavam muito ansiosas para entender, para descobrir o que realmente estava a acontecer”, referiu Kirill Martynov, chefe de redação do jornal Novaya Gazeta Europe.

Para muitos jornalistas, mudar-se da Rússia para Riga foi uma solução temporária adotada às pressas. 

No entanto, alguns já sentem que essa solução temporária pode durar muito tempo, senão para sempre.

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