Mais de quatro mil migrantes chegaram a Itália em dois dias

Migrantes a bordo de barco da guarda costeira italiana prestes a desembarcar em Reggio Calabria
Migrantes a bordo de barco da guarda costeira italiana prestes a desembarcar em Reggio Calabria Direitos de autor AP Photo/Valeria Ferraro
De  Maria Barradas com Agências
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A chegada de migrantes à costa italiana bateu todos os recordes dos últimos anos. Mais de quatro mil chegaram ao país em apenas dois dias.

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A chegada de migrantes a Itália ultrapassou todos os recordes.

Entre sexta-feira e sábado desembarcaram na ilha de Lampedusa cerca de quatro mil pessoas e cerca de 600 chegaram à Calábria.

Segundo o Ministério do Interior de Itália, desde o início do ano já chegaram ao país 20.379 migrantes, mais do triplo das chegadas ao longo de todo o ano de 2022, em que foram 6.518 no total.

Em Lampeduza, onde os abrigos estão a transbordar, a Guarda Costeira localizou os corpos de sete pessoas após um naufrágio, ontem à noite, de dois barcos em águas próximas da ilha de Malta.

Itália e Malta viram o número de barcos a viajar no Mediterrâneo central multiplicar-se este fim de semana.

Na costa sul do mar, a Tunísia afirmou ter impedido a partida de mais de 70 barcos no meio de uma onda que não para há semanas.

Segundo as autoridades de Malta, só no fim de semana chegaram quase meia centena de embarcações carregadas de migrantes.

Multiplicam-se as embarcações de migrantes e também os navios de socorro no Mediterrâneo.

Para além do Ocean Viking da ONG SOS Mediterranée, está também nas águas uma embarcação da ONG Louise Michel, o Life Support da ONG Emergency e entrou no porto de Bari o navio dos Médicos Sem Fronteiras, Geo Barents, com 190 pessoas resgatadas no Mediterrâneo central.

O Mediterrâneo está a tornar-se cada vez mais perigoso. No sábado de manhã a SOS Mediterranée foi ameaçada com armas de fogo pela chamada Guarda Costeira Líbia.

A ONG SOS Méditerranée acusou os guardas costeiros líbios no sábado de "deliberadamente" porem em perigo as suas tripulações, disparando tiros no ar para impedir que realizassem um salvamento.

Segundo uma declaração da ONG, no sábado de manhã o Ocean Viking recebeu um alerta para a presença de um barco em perigo em águas internacionais ao largo da Líbia e deslocou-se para o local. Quando se aproximava, um barco de patrulha da guarda costeira líbia "aproximou-se perigosamente do Ocean Viking."

A ONG prossegue: "Todas as tentativas de contacto pela VHF ficaram sem resposta, enquanto a tripulação da guarda costeira líbia começou a comportar-se agressivamente, ameaçando com armas e disparando vários tiros no ar".

Também a ONG Sea Watch denunciou esta situação, tendo referido que graças ao seu avião conseguiu localizar pessoas que viajavam num barco insuflável e tinham caído ao mar.

A SOS Mediterranée afirma que já em janeiro a guarda costeira líbia já tinha interrompido uma operação de salvamento pelo Ocean Viking, "pondo conscientemente em perigo a vida de pessoas no mar (...) ao impedir a equipa de busca e salvamento a bordo do (seu) barco salva-vidas de regressar ao navio principal".

No final de 2022, as associações que trabalham no setor estimaram que cerca de 100.000 pessoas tinham sido intercetadas desde que a Itália e a União Europeia assinaram um acordo com a Líbia em 2017, concordando em treinar e equipar a guarda costeira líbia para intercetar migrantes que tentam sair do país, que é flagelado pela instabilidade, mas está a apenas 300 quilómetros da costa italiana.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM) o Mediterrâneo central é a rota migratória mais perigosa do mundo. A agência das Nações Unidas estima que em 2022, 1.417 migrantes desapareceram nas suas águas.

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