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Atletas russos nas competições internacionais: regras e exceções

Ucranianos manifestam-se em frente à sede do Comité Olímpico Internacional, em Genebra, na Suíça
Ucranianos manifestam-se em frente à sede do Comité Olímpico Internacional, em Genebra, na Suíça Direitos de autor Jean-Christophe Bott/' KEYSTONE / JEAN-CHRISTOPHE BOTT
Direitos de autor Jean-Christophe Bott/' KEYSTONE / JEAN-CHRISTOPHE BOTT
De  Verónica RomanoEuronews
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O presidente do Comité Olímpico Internacional adiou o veredicto sobre a participação de atletas russos e bielorrussos nos Jogos Olímpicos de Paris. De acordo com Thomas Bach, "o COI tomará esta decisão no momento apropriado"

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O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) adiou o veredicto sobre a participação de atletas russos e bielorrussos nos Jogos Olímpicos de Paris. "O COI tomará esta decisão no momento apropriado", garantiu Thomas Bach esta terça-feira.

Laurent Gillieron/Keystone via AP
Thomas Bach deixa em aberto a participação dos atletas russos nos Jogos Olímpicos de 2024, em ParisLaurent Gillieron/Keystone via AP

No final de janeiro, o Comité publicou uma "Declaração sobre a solidariedade com a Ucrânia, as sanções contra a Rússia e a Bielorrússia e o estatuto dos atletas destes países", na qual abria "caminho para a participação" individual dos atletas russos e bielorussos nas competições de desporto, sob as seguintes condições:

- têm de competir como "atletas neutros" e não podem representar de forma alguma o seu Estado ou qualquer outra organização do seu país;

- não podem apoiar ativamente a agressão russa contra a Ucrânia;

- têm de cumprir integralmente o Código Mundial Antidoping e de todas as regras e regulamentos antidoping relevantes.

As federações internacionais que tutelam os desportos olímpicos individuais devem agora decidir as condições de entrada e elegibilidade para os seus eventos, incluindo as qualificações em curso para os Jogos Olímpicos de Paris.

Todas estas questões surgem devido à invasão russa da Ucrânia e às sanções internacionais contra a Rússia e a Bielorrússia. 

Mas antes da guerra já havia problemas com a participação da Federação Russa nos Jogos Olímpicos.

Tudo começou com o doping

Em dezembro de 2014 levantam-se as primeiras suspeitas, quando um antigo funcionário da Agência Russa Antidoping (RUSADA) e a sua esposa, uma antiga atleta, alegam que a Rússia patrocinava sistematicamente doping para os seus desportistas. Um outro ex-atleta russo diz que 99% dos desportistas olímpicos do país tinham usado drogas que melhoravam o desempenho.

Cerca de um ano depois, uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de gerir um programa de dopagem patrocinado pelo Estado, descrevendo um sistema que incluía laboratórios-sombra, amostras de urina destruídas e vigilância dos trabalhadores dos laboratórios pelos serviços secretos russos.

A World Athletic - órgão que gere o atletismo a nível mundial - foi a primeira a agir. Proibiu imediatamente a equipa da Rússia de participar em competições internacionais da modalidade.

Em maio de 2016, o COI começa a testar novamente amostras de atletas russos desde os Jogos Olímpicos de 2008. Mesmo assim, em agosto desse ano, a Rússia compete na maior parte dos desportos (à exceção do atletismo) nos Jogos no Rio de Janeiro, ganha 19 medalhas de ouro e termina em quarto lugar na contagem total das medalhas. 

AP Photo/Ivan Sekretarev
A equipa olímpica nacional da Rússia recebe as boas-vindas ao chegar ao país depois dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de JaneiroAP Photo/Ivan Sekretarev

O Comité acaba por banir o país dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, mas permite que os desportistas fora do programa estatal de doping competissem como "Atletas Olímpicos da Rússia", sem a bandeira nem o hino nacionais. 

No final de 2019, a WADA proíbe então a equipa russa de participar em grandes competições internacionais até 2023, o que inclui os Jogos de 2020 em Tóquio, os de 2022 em Pequim e o Mundial da FIFA de 2022 no Qatar. Tal como em 2018, permite que os russos não implicados no sistema de dopagem do Estado compitam como atletas não filiados.

Moscovo recorre ao Tribunal Arbitral do Desporto, que em 2020, reduz a pena para dois anos. Assim, a punição deveria permanecer em vigor até 16 de dezembro de 2022.

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Guerra também no desporto

O cenário mudou quando, a 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançou uma invasão militar em larga escala contra a Ucrânia. Passados quatro dias, o Conselho Executivo do COI publicou uma declaração na qual recomendava às Federações que excluíssem os atletas russos e bielorussos da participação em competições internacionais. 

Pedia também que não se realizassem campeonatos na Rússia e na Bielorrússia "a fim de proteger a honestidade das competições desportivas globais e a segurança de todos os participantes". 

Seguindo a sugestão do COI, as Federações Internacionais começaram a suspender os russos dos torneios. Contudo, os concorrentes russos individuais foram autorizados a participar sob o estatuto de neutralidade nos eventos internacionais de ténis, ciclismo, desporto motorizado, judo e sambo (uma arte marcial).

Exceções à regra

São, portanto, muito poucos os desportos em que os atletas da Rússia podem ainda competir. 

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No caso do ténis, os jogadores nacionais russos jogam indiviualmente como neutros. Já a seleção nacional da Rússia está suspensa dos torneios de equipas, tais como a Taça Davis e a Taça Billie Jean King.

AP Photo/Kamran Jebreili
O russo Daniil Medvedev venceu a final de singulares do Dubai Tennis Championships, contra o compatriota Andrey Rublev, no início de março.AP Photo/Kamran Jebreili

Os russos Daniil Medvedev e Andrey Rublev estão no top 10 dos melhores tenistas do mundo, embora nos torneios da ATP Tour não joguem sob a bandeira do país. 

A Federação Internacional de Judo (IJF) suspendeu os poderes de Vladimir Putin - que é cinturão negro neste desporto - como presidente honorário e embaixador da organização. Cancelou ainda todos os torneios de judo a decorrer na Rússia, mas permitiu que os atletas do país competissem sob a bandeira da IJF. 

Alguns dias depois, a Federação Russa de Judo anunciou que os seus judocas não disputariam competições internacionais, como o Campeonato Mundial de Tashkent (Uzbequistão). Mesmo assim, o Grand Slam em Ulaanbaatar (Mongólia), em junho de 2022, contou com a participação de desportistas russos como neutros.

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Em novembro de 2022, os sambistas russos participaram no Campeonato do Mundo em Bishkek (Quirguizistão). No Ultimate Fighting Championship 2022, os russos também não foram impedidos de lutar pelos títulos. 

A Federação Automóvel Internacional autorizou que os condutores russos corressem nos torneios, desde que assinassem previamente um documento de neutralidade. No desporto eletrónico (videojogos), a Federação Internacional permitiu igualmente que os jogadores da Rússia competissem como neutros.

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