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Calor volta a ameaçar Itália e Espanha onde já provocou centenas de mortes

Um homem refresca um cão na fonte do Castelo Sforzesco, em Milão, Itália
Um homem refresca um cão na fonte do Castelo Sforzesco, em Milão, Itália Direitos de autor Piero CRUCIATTI / AFP
Direitos de autor Piero CRUCIATTI / AFP
De  Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
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Nas Canárias, teme-se o impacto no incêndio ainda a lavrar em La Palma. Na Sardenha, receiam-se máximas de 48°C. Portugal também terá calor, mas...

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Está a chegar ao Sul da Europa mais uma onda de calor. É a terceira do ano, mas desta vez Portugal é poupado. 

O retângulo português vai ter calor, mas com temperaturas normais para a época, antevendo-se máximas entre os 31°C e os 37°C no sul e interior do país e entre os 23°C e os 31°C no litoral norte e centro. 

A subida dos termómetros portugueses será temperada com a brisa do Atlântico e estará protegida do calor extremo pelo anticiclone dos Açores, explica o IPMA.

Espanha a ferver

Em Espanha, também a aquecer esta semana com o fecho da campanha para as eleições gerais de domingo, o incêndio de La Palma, nas Canárias, continua a lavrar.

A evolução do combate às chamas tem sido favorável nos últimos dias, com uma ligeira baixa das temperaturas, e alguns dos quatro mil deslocados já puderam regressar a casa.

A chegada da segunda vaga de calor deste verão gera, no entanto, receios de que o fogo possa ganhar novo impulso depois de já ter queimado mais de 4 mil hectares naquela ilha não há muito fustigada por uma dramática erupção vulcânica que calcinou parte da ilha e até gerou uma nova fajã.

Na primeira onda de calor de 2023 no sul da Europa, Espanha, que já tinha tido em 2022 o ano mais quente da história, fixou o mês de abril mais quente no país desde que já registos e agora, com a terceira (a segunda do verão) podem acontecer novos recordes de calor.

A mortalidade pelo calor

Um estudo publicado pela revista Nature Medicine estima que no ano passado em 35 países europeus morreram pelo menos 61.672 pessoas de forma prematura devido às altas temperaturas, entre 30 de maio e 4 de setembro de 2022. 

A maior parte, 18.010, morreram em Itália, seguido de Espanha, com 11.324, e da Alemanha, com 8.173 óbitos. Portugal somou 211 mortes relacionadas com o calor naquele período.

Este ano, com as duas primeiras ondas de calor, Espanha já registava na plataforma MoMo até à semana passada 613 óbitos relacionados com o calor.

Em abril, com uma onda de calor no final do mês, a primeira do ano, terão morrido oito pessoas devido às altas temperaturas; em maio, 19; em junho, com a primeira onda de calor do verão, 224; e em julho, com a terceira onda de calor de 2023, até ao último sábado já tinham perdido a vida 362 pessoas por causas atribuídas à temperatura.

Na semana passada, algumas áreas na Estremadura espanhola chegaram a registar mais de 60°C na superfície do solo, com as temperaturas do ar a rondar os 40°C. E agora esse fenómeno pode repetir-se "de forma curta e intensa", prevê Rubén del Campo, porta-voz da Agência Estatal de Meteorologia (AEMet) de Espanha, citado pelo El País.

"Em julho e na próxima semana, vemos outra onda de calor a chegar ao sul da Europa com temperaturas ainda mais altas. É o real impacto das alterações climáticas. Aumentou a probabilidade de ondas de calor consecutivas e está a tornar-se cada vez mais difícil lidar com esta sucessão frequente de ondas de calor", avisa Clement Albergel, cientista de aplicações climáticas da Agência Espacial Europeia.

"Caldo" italiano

Itália também enfrenta esta semana a terceira onda de calor do ano.

Há 16 cidades com alerta vermelho devido às altas temperaturas, ou "caldo", como se diz em italiano, inflamadas pelo chamado anticiclone africano, que tende a não se alterar no curto e médio prazo", disse à Ansa o tenente-coronel Gudo Guidi, da Força Aérea italiana.

Dados da Agência de Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos (Noaa), processados ​​pela Coldiretti e citados também pela agência de notícias italiana, indicam que 2023 "se situa até agora no terceiro lugar entre os anos mais quentes já registados", com uma temperatura de superfície "1,01°C superior à média do século XX".

"Tem estado muito calor desde que chegámos. Estamos a sentir dificuldade para nos adaptar-mos, sobretudo porque acabámos de chegar e percebemos que esta aqui mais calor do que em África, por exemplo, na República Democrática do Congo. O calor mantém-se pela noite e até se torna difícil dormir", lamentava em Roma este domingo o padre congolês François Mbemba, de 29 anos.

Os meteorologistas avisam para temperaturas 10 graus acima da média para a época, com possíveis recordes de calor em diversos municípios de Itália.

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A capital italiana pode chegar aos 43 graus esta terça-feira e na Sardenha fala-se em máximas de 48°C no interior sul da ilha.

As recomendações em Itália é para ficar em casa nas horas de maior calor, obrigar-se a beber pelo menos litro e meio de água por dia, usar roupas leves que permitam a transpiração, chapéu e óculos com filtro UV. 

E, se possível, juntamos nós, não hesite em dar uns mergulhos no mar para baixar a temperatura do corpo.

Outras fontes • El País, El Diario, IPMSA, ANSA, AP, AFP

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