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Transferências de migrantes dentro de Itália insuficientes para aliviar Lampedusa

Migrantes em trânsito no porto siciliano de Empedocle
Migrantes em trânsito no porto siciliano de Empedocle Direitos de autor Euronews
Direitos de autor Euronews
De  Giorgia Orlandiadaptação de Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
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Só na sexta-feira, desembarcaram na ilha italiana mais de 1.800 migrantes, elevando para mais de 4 mil as pessoas acolhidas num centro pensado para somente 400

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Após um final de semana em que foi batido o recorde de resgates no mar e desembarques em 24 horas na ilha de Lampedusa, o centro de acolhimento desta ilha italiana próxima das águas territoriais da Tunísia ficou numa situação ainda mais crítica.

Os mais de 1.800 migrantes ali chegados durante sexta-feira, em 63 desembarques, elevaram a lotação para lá das 4.120 pessoas, num espaço inicialmente pensado para 400.

As transferências de migrantes sem documentos para outros locais em Itália tem sido a solução para aliviar a pressão sobre o único centro de acolhimento de requerentes de asilo em Lampedusa.

A Euronews esteve com um grupo acabado de chegar ao porto de Empedocle, na Sicília, vindo de Lampedusa. São na maioria migrantes subsarianos que deixaram a Tunísia. alguns, em fuga também da alegada repressão racista pelas autoridades locais.

"Os tunisinos não nos queriam lá. Não gostavam de nós. Não nos sentíamos bem-vindos, por isso viemos-nos embora. Eu não fui deportado para o deserto, os meus amigos é que foram. Sabemos que morreram pessoas lá", contou-nos uma mulher oriunda da Costa do Marfim.

Uma outra disse-nos ter saído "do Burkina Faso por causa da guerra". "Fui para a Tunísia para poder viajar para Itália. Não fiquei lá muito tempo. Foi muito difícil porque eles não gostam de negros", acusou.

Enquanto esperam para embarcar para o destino final, os migrantes em Empedocle veem passar os turistas que acabam de desembarcar naquele mesmo porto.

A Euronews ouviu parte dos residentes de Lampedusa e sentiu neles "opiniões contrastantes". 

De forma geral, disseram-nos que agora os desembarques estão a ser melhor geridos pelas autoridades locais, mas a avaliação divide-se. Por um lado, muitos já se habituaram a ver os migrantes a tentar sobreviver pela ilha. Outros tantos mostram-se preocupados com a reputação e a imagem de Lampedusa juntos dos visitantes.

Os primeiros desembarques na ilha foram registados no início da década de 1990. 

A hospitalidade está no ADN dos habitantes de Lampedusa e, numa altura em que o centro para migrantes sem documentos ainda não existia, o acolhimento era muitas vezes oferecido pelas famílias residentes na ilha.

Agora, a história é outra e mesmo o número de pessoas oriundas de África a desembarcar sem documentos nesta ilha da União Europeia é avassalador e as transferências para outros locais revelam-se insuficientes para aliviar a pressão sobre Lampedusa.

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