EventsEventosPodcasts
Loader
Encontra-nos
PUBLICIDADE

"Disseram-nos que eram crentes do Corão e que não nos fariam mal"

Yocheved Lifshitz, de 85 anos, um dia após ter sido libertada pelo Hamas
Yocheved Lifshitz, de 85 anos, um dia após ter sido libertada pelo Hamas Direitos de autor AP Photo/Ariel Schalit
Direitos de autor AP Photo/Ariel Schalit
De  Francisco Marques
Publicado a Últimas notícias
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Yocheved Lifshitz, de 85 anos, foi sequestrada a 7 de outubro e libertada na segunda-feira, 23, ao lado de Nurit Cooper, de 79. Em Telavive, contou o que viveu

PUBLICIDADE

Raptada no kibbutz Nir Oz, a quatro quilómetros do sul da Faixa de Gaza, levada primeiro de moto e depois a pé pelo mato até atravessar o que disse ser um género de "teia de aranha" subterrânea e entrar numa câmara onde estavam outros reféns, cerca de 25.

Pouco depois da chegada a Telavive, Yocheved Lifshitz, de 85 anos, contou o "inferno" que diz ter atravessado nos 16 dias de cativeiro em Gaza, às mãos do Hamas, grupo considerado terrorista pela União Europeia.

Lifshitz contou ter sido agredida pelo jovem que a levou de moto, mas diz ter sido bem tratada depois e quando foi entregue à Cruz Vermelha desejou paz ao captor que a levou de volta a Israel.

"Eles raptaram-me e levaram-me numa moto. Fui deitada na moto. A minha cabeça para um lado, as pernas para o outro. O jovem bateu-me pelo caminho. Não me partiu as costelas, mas magoou-me muito e era-me difícil respirar", afirmou Yocheved Lifshitz, ajudada pela filha Sharone, na declaração que proferiu no hospital Ochilov.

"Quando lá chegámos, disseram-nos que eram crentes do Corão, que não nos fariam mal e que viveríamos nos subterrâneos nas mesmas condições que eles. Começámos a andar nos túneis, a terra era húmida. Está sempre tudo húmido e molhado. Chegámos a uma sala com 25 pessoas. Passadas duas ou três horas, separaram cinco das pessoas do meu kibbutz Nir Oz e vigiaram-nos de perto", relatou.

O que é um kibbutz?

"Um kibbutz é um assentamento comunitário em Israel em que toda a riqueza é partilhada e os lucros são reinvestidos no bem comum.

"O primeiro kibbutz foi fundado em 1909. Atualmente existem cerca de 270, com uma população total superior a 120 mil pessoas.

"Os adultos vivem em quartos privados, enquanto as crianças são geralmente alojadas e cuidadas em grupo."

dicionário da Merriam Webster

Os raptores "fizeram questão de que nada faltasse". "Trataram-nos bem", assegurou Ligshitz, revelando que os captores revelaram-se amigáveis, providenciaram um médico aos reféns e medicamentos a quem precisava.

"Tentaram assegurar-se de que não adoecíamos e tivemos um médico connosco a cada dois ou três dias", acrescentou a octogenária.

Yocheved Lifshitz, de 85 anos, foi sequestrada a 7 de outubro e libertada na segunda-feira, 23, ao lado de Nurit Cooper, de 79. 

Ambas cidadãs israelitas e residentes no kibbutz de Nir Oz, uma das mais de duas dezenas de comunidades agrícolas israelitas nas proximidades de Gaza que foram atacadas pelo Hamas há pouco mais de duas semanas.

Nir Oz era habitado por cerca de 400 pessoas, muitos seriam empregados em explorações de espargos e noutras culturas agrícolas, mas também nas oficinas locais de produção de tintas e vedantes. 

A comunidade, localizada nas proximidades da fronteira com a Faixa de Gaza, é um autêntico oásis verde no meio do deserto do Negev, tem um jardim botânico com mais de 900 espécies de plantas, flores, e árvores. Agora, está deserta, sem vivalma.

Dezenas de residentes de Niz Or foram assassinados logo no dia 7 de outubro. Dezenas de outros foram feitos reféns e levados para Rafa. Há muitos ainda incontactáveis.

A devastação deixada pelo ataque do Hamas em Nir Oz é enorme.

Duas residentes do kibbutz foram agora libertadas. Os maridos continuam sequestrados. Fazem parte dos presumíveis mais de 200 reféns retidos pelo Hamas em Gaza e que a comunidade internacional pressiona para serem libertadas de imediato.

Outras fontes • times of Israel, Haaratez, AP

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Bombardeamentos aumentam contra Hamas e Hezbollah: Líbano lembra resolução da ONU

Ajuda humanitária chega a Gaza mas sem combustível

Médico relata experiência em Gaza: "Temos de escolher quem vive e quem morre"