Guerra Israel-Hamas, dia 60: As bombas e o plano de inundar os túneis

Palestinianos em fuga dos bombardamentos em Khan Younis
Palestinianos em fuga dos bombardamentos em Khan Younis Direitos de autor AP Photo/Fatima Shbair
De  Francisco Marques
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A contraofensiva ao ataque terrorista de 7 de outubro intensifica-se agora no sul da Faixa de Gaza, onde os hospitais se revelam cenários indescritíveis envolvendo crianças

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As sirenes voltaram a ouvir-se esta terça-feira de manhã nas localidades israelitas próximas da Faixa de Gaza. Estamos no 60.° dia da contraofensiva de Israel ao ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro e os ataques de parte a parte continuam.

As operações israelitas prosseguem no norte, mas intensificam-se agora na zona sul do enclave até há pouco controlado pelo braço armado do grupo palestiniano.

Em cima da mesa, adianta o Wall Street Journal, está um plano iniciado por Israel em novembro para inundar a agora famosa "teia" de túneis do Hamas com água do mar e obrigar os militantes palestinianos a sair para céu aberto.

O jornal norte-americano cita fontes norte-americanas não identificadas e avança que em meados de novembro as forças militares israelitas instalaram um sistema com pelo menos cinco bombas de água a cerca de 1,6 quilómetros do campo de refugiados de Al-Shati. 

O objetivo é bombear milhares de metros de cúbicos de água do mar por hora e inundar os túneis usados pelos militantes do Hamas para se protegerem das forças israelitas. O plano prevê que no espaço de semanas os militantes não teriam condições de se manter escondidos e protegidos nos túneis.

O facto de o Hamas ter dito que pelo menos alguns dos cerca de 240 reféns raptados a 7 de outubro são mantidos em túneis poderá estar a travar o plano israelita de inundar a "teia" do grupo palestiniano.

Israel não confirmou o plano, mas uma fonte das Forças de Defesa de Israel disse ao WSJ que "as IDF estão a operar para desmantelar as capacidades de terrorismo do Hamas de várias maneiras, recorrendo a diferentes ferramentas militares e tecnológicas".

O jornal avança que o plano israelita de inundar os túneis foi apresentado aos Estados Unidos no mês passado  e que ainda não havia conhecimento de uma decisão tomada pelo governo de Benjamin Netanyhau sobre a inundação dos túneis do Hamas.

O cessar-fogo humanitário e a consequente troca de prisioneiros acordada entre Israel e o Hamas, com mediação do Qatar, iniciados a 24 de novembro tiveram um fim precoce na manhã de 1 de dezembro.

Após um atentado em Jerusalém reivindicado pelo Hamas, os bombardeamentos israelitas voltaram a fazer-se sentir na Faixa de Gaza e a contraofensiva para destruir o Hamas devido ao ataque de 7 de outubro foi retomada, com a operação das IDF a intensificar-se também no sul do enclave palestiniano.

Esta terça-feira de manhã, Israel identificou três militares, um oficial e dois soldados, que morreram nesta nova fase da guerra ao Hamas em Gaza.

Os tanques israelitas estão agora a "estrangular" a cidade de Khan Younis, onde os hospitais têm sido o destino de muitos dos feridos deste trágico conflito, já com quase 16 mil mortos nas contas do Ministério da Saúde afeto ao Hamas, além dos 1.200 resultantes do ataque do grupo palestiniano em Israel no dia 7 de outubro.

Mirjana Spoljaric Egger, a presidente da Cruz Vermelha Internacional, esteve esta segunda-feira no Hospital Europeu de Gaza, localizado na zona leste de Khan Younis, e assumiu-se chocada.

"O que ali vi está para lá de tudo o que qualquer pessoa possa descrever. O que mais me chocou foram as crianças com ferimentos atrozes e, ao mesmo tempo, orfãs, sem ninguém para tomar conta delas", afirmou Mirjana Spoljaric Egger, numa mensagem vídeo partilhada pelas redes sociais a partir da Faixa de Gaza.

Do outro lado da fronteira, houve celebração, na segunda-feira, em Herzliya, cidade israelita a norte de Telavive. Foi o dia do regresso a casa dos irmãos Maya e Itay Regev, respetivamente, de 21 e 18 anos.

Os dois tinham sido raptados a 7 de outubro pelo Hamas, quando participam no festival de música Supernova, a cerca de 5 quilómetros da fronteira com a Faixa de Gaza. 

O evento foi atacado pelos militantes do Hamas e da Jiad Islâmica. Maya foi ferida a tiro numa perna e assim passou várias semanas às mãos do grupo palestiniano em Gaza. 

Os irmãos acabaram por ser incluídos no acordo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas. 

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Maya foi libertada a 25 de novembro e levada diretamente para o centro médico Soroka, em Beersheba, onde foi operada. Itay Regev foi libertado a 29 de novembro, pouco mais de 24 horas antes de as tréguas terem fracassado.

Outras fontes • AP, AFP, WSJ, Times of Israel, Haaretz, Al Jazeera

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