Israel ataca dois campos de refugiados no centro da Faixa de Gaza

Conflito alastra-se cada vez mais
Conflito alastra-se cada vez mais Direitos de autor Victor R. Caivano/AP
De  Ricardo Figueira com AP, EFE
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Ataques acontecem numa altura em que os EUA anunciam nova venda de armamento a Israel. Comunidade internacional aumenta as críticas ao estado hebraico, com a África do Sul a acusar o país de genocídio dos palestinianos.

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Israel atacou, este sábado, dois campos de refugiados no centro da Faixa de Gaza. Os ataques das forças israelitas terão feito, nas últimas 24 horas, 165 mortos, numa altura em que o balanço mortal do conflito, entre os palestinianos, ascende já a 21.600 mortos, desde que os combates começaram com a ofensiva do Hamas a 7 de outubro.

Estes novos ataques acontecem pouco depois de os Estados Unidos terem garantido o envio de mais material de guerra para Israel. Apesar da crescente pressão e das cada vez maiores críticas a Israel pelo número elevado de vítimas civis na Faixa de Gaza, o governo norte-americano aprovou a venda de mais material militar a Israel, no valor de 147,5 milhões de dólares (133,6 milhões de euros) sem passar pelo Congresso.

África do Sul acusa Israel de genocídio em tribunal da ONU

Numa altura em que o número de vítimas mortais entre os palestinianos chega às 21.300, Israel está a ser cada vez mais atacado pela comunidade internacional. A África do Sul apresentou uma queixa no Tribunal Internacional de Jistiça da ONU contra Israel por genocídio, uma queixa à qual Israel reagiu "com repugnância", citando o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O secretário-geral-adjunto das Nações Unidas, Khaled Khiari, alertou para o alastramento do conflito à Cisjordânia, onde já morreram 304 palestinianos desde o início do conflito a 7 de outubro. A região está a ser palco, segundo o alto responsável, "das maiores operações israelitas desde a segunda intifada". 

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU, Khiari mostrou-se também preocupado com a situação na fronteira com o Líbano: "As contínuas trocas de tiros diárias através da Linha Azul representam um grave risco para a estabilidade regional. Registaram-se vários casos de ataques mais profundos nos territórios do Líbano e de Israel, o que levanta o espetro de um conflito incontrolado, com consequências potencialmente devastadoras para as populações de ambos os países", disse.

Israel destrói quartel-general do Hamas em Gaza

O exército israelita continuou a combater e a atacar vários pontos de Gaza por terra, mar e ar no sábado, afirmando ter morto "dezenas" de milicianos nas últimas horas, no 85º dia de guerra entre Israel e o grupo islamita Hamas. 

As Forças Armadas israelitas divulgaram na sexta-feira imagens do que afirmaram ser "túneis do quartel-general do Hamas localizados e destruídos no norte da Faixa de Gaza".

Segundo o comunicado do exército, as tropas "localizaram e destruíram um dos apartamentos do esconderijo do líder da organização terrorista Hamas na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar", perto da cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza.

A guerra entre Israel e o Hamas arrasou a parte norte da Faixa de Gaza, aumentando os receios de um destino semelhante para o sul, à medida que a ofensiva aérea e terrestre de Israel se alarga.

De acordo com as Nações Unidas, dezenas de milhares de palestinianos deslocados têm-se dirigido, nos últimos dias, para a cidade de Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza, já sobrecarregada.

Rafah está a ter dificuldades em lidar com o afluxo de famílias deslocadas. Milhares de pessoas fugiram para esta cidade para escapar aos bombardeamentos intensos de Israel no centro de Gaza e na cidade de Khan Younis.

Os deslocados chegam em camiões, carroças ou a pé, carregando os escassos pertences que conseguiram salvar. Muitos deles não encontram espaço nos abrigos já sobrecarregados.

São obrigados a montar tendas e abrigos improvisados em terrenos vazios e na berma das estradas. As Nações Unidas disseram, no final de quinta-feira, que cerca de 100.000 pessoas tinham chegado a Rafah nos últimos dias.

Bombardeamento faz 40 mortos

 O hospital dos Mártires de al-Aqsa, na cidade de Deir al-Balah, no centro de Gaza, recebeu os corpos de 40 pessoas, incluindo 28 mulheres, mortas nos bombardeamentos israelitas durante a noite e a manhã de sexta-feira, segundo o serviço de registo do hospital.

As baixas incluem pessoas mortas em ataques nos campos de Maghazi, Nuseirat e na cidade de Deir al-Balah, disse um jornalista da Associated Press no hospital.

O jornalista viu pelo menos duas crianças e uma mulher grávida entre os mortos. Também havia partes de corpos que chegaram ao hospital durante a noite.

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