Scholz pressionado pelo Reino Unido - e até pelo próprio governo - para enviar mísseis Taurus a Kiev

Manifestante pede mísseis Taurus para a Ucrânia
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Chanceler alemão diz que não pode dar à Ucrânia uma arma de longo alcance e sobre a qual não teria controlo. Ministra dos Negócios Estrangeiros de Berlim diz que situação é "clara" e Kiev precisa do armamento.

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A ministra dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Annalena Baerbock, pressionou o chanceler alemão Olaf Scholz a entregar mísseis Taurus à Ucrânia, durante uma conferência de imprensa em Podgorica, no Montenegro. "Na minha perspetiva, a situação factual é muito, muito clara", disse Baerbock, incentivando o próprio governo a "considerar intensivamente" a possibilidade de enviar à Ucrânia este tipo de armamento.

Scholz tem rejeitado mandar para Kiev os mísseis de fabrico alemão, com um alcance de cerca de 500 quilómetros, mesmo depois de a imprensa russa ter divulgado o áudio de uma conversa entre altas patentes militares alemãs a debaterem como poderia ser contornada a oposição do chanceler e que possibilidades se abririram para as forças ucranianas se pudessem fazer uso daquele tipo de sistemas, nomeadamente destruir a ponte de Kerch, que liga a Crimeia à Rússia. Berlim já confirmou a veracidade da gravação.

Na segunda-feira, Scholz insistiu, durante uma visita a uma escola em Baden-Württember, que não iria entregar os mísseis de longo alcance que, em teoria, permitiriam a Kiev atingir o coração da Rússia. "Sou o chanceler e a minha palavra conta", declarou. "É inaceitável entregar um sistema de armamento de muito longo alcance e não pensar como pode fazer-se o controlo desse sistema", acrescentou. "E se quisermos ter controlo, e isso só pode ser feito se soldados alemães estiverem envolvidos, está fora de questão para mim", frisou Scholz, que ainda acrescentou que o "estranho" debate sobre os mísseis Taurus não deverá fazer esquecer que Berlim orçamentou sete mil milhões de euros em ajuda militar à Ucrânia só este ano.

Reino Unido confirma que tem tropas na Ucrânia

Um porta-voz do governo britânico também não deixou de exercer pressão sobre Scholz, mesmo que a gravação dos chefes militares alemães que foi divulgada pela Rússia envolva diretamente o Reino Unido: a dada altura, o tenente-general Ingo Gerhartz, chefe da Força Aérea da Alemanha, a Luftwaffe, diz que os ingleses têm "algumas pessoas no terreno" na Ucrânia.

Em vez de dirigir críticas à Alemanha pelas falhas de segurança que permitiram que o áudio fosse divulgado, um porta-voz de Downing Street disse apenas que Berlim deverá investigar o que aconteceu e preferiu incentivar Berlim a fornecer mísseis Taurus a Kiev.

"O Reino Unido foi o primeiro país a fornecer mísseis de precisão de longo alcance à Ucrânia e encorajamos os nossos aliados a fazer o mesmo", referiu o responsável, citado pelo Guardian, acrescentando que o executivo britânico já tinha admitido a presença de um pequeno número de tropas britânicas em território ucraniano.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considerou que a gravação dos responsáveis alemães, que se prolonga por 38 minutos, "mostra mais uma vez o envolvimento direto do ocidente no conflito na Ucrânia". Na segunda-feira, Moscovo informou ter chamado o embaixador alemão na Rússia para prestar esclarecimentos sobre o caso, mas o próprio embaixador germânico veio mais tarde assinalar que não foi convocado e que a reunião já estava marcada e serviu para debater outros assuntos.

Na chamada divulgada pelos meios de comunicação russos, os militares alemães estão a preparar-se para uma reunião com o ministro da Defesa do país, Boris Pistorius. A conversa foi mantida através do programa Webex, considerado relativamente inseguro.

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