Comité Internacional de Resgate afirma que Gaza é um "lugar letal" para trabalhadores humanitários

Comité Internacional de Resgate afirma que Gaza é um "lugar letal" para trabalhadores humanitários
Comité Internacional de Resgate afirma que Gaza é um "lugar letal" para trabalhadores humanitários Direitos de autor AP Photo/Mahmoud Essa
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O comentário do Comité Internacional de Resgate surge na sequência da morte dos sete trabalhadores humanitários, em Gaza, da ONG World Central Kitchen. As Forças de Defesa de Israel reconheceram que “cometeram um erro” e que o ataque foi um “engano”.

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A ONG Comité Internacional de Resgate afirmou que a morte dos trabalhadores humanitários na segunda-feira, na sequência de um ataque aéreo israelita, mostra que Gaza “é o lugar mais letal do mundo para se ser um trabalhador humanitário”.

Os ataques aéreos contra os trabalhadores humanitários da ONG World Central Kitchen, que entregavam alimentos em Gaza, mataram sete pessoas de várias nacionalidades.

De acordo com Ciarán Donnelly, vice-presidente de programas internacionais do Comité Internacional de Resgate, até ao ataque de segunda-feira, cerca de 196 trabalhadores humanitários e 350 profissionais de saúde tinham sido mortos na guerra entre Israel e o Hamas.

"Há uma realidade desconfortável: até segunda-feira, tanto quanto sei, todos os trabalhadores humanitários mortos [até à data] eram palestinianos", disse Donnelly à AP, acrescentando que "assistimos a um aumento significativo da atenção global para esta questão, para a segurança dos trabalhadores humanitários, em grande parte devido às nacionalidades dos que foram mortos na segunda-feira."

Donelly disse, ainda, que o foco na segurança dos trabalhadores humanitários e dos palestinianos poderia melhorar as condições em Gaza, onde, segundo o mesmo, citado pelas agências internacionais, a guerra “não está a ser conduzida de forma a respeitar as proteções previstas no direito humanitário internacional".

A World Central Kitchen suspendeu as suas operações em Gaza, na terça-feira, o que afetou a recém-aberta rota marítima de ajuda alimentar. Vários navios que transportavam alimentos, e que tinham chegado a Gaza um dia antes do ataque áereo israelita que matou sete pessoas, afastaram-se da região.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, apresentou as suas condolências pela morte dos trabalhadores humanitários ao fundador da World Central Kitchen, o chef José Andrés. Embora a Casa Branca tenha sublinhado, na quarta-feira, que continua a apoiar o direito de Israel de se defender do Hamas, o porta-voz da segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, disse que Israel deve fazer mais para evitar a morte e os ferimentos de civis inocentes e de trabalhadores humanitários.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, citada pelas agências internacionais, confessou que Joe Biden está "desolado" com a morte dos trabalhadores humanitários em Gaza. Jean-Pierre referiu, ainda, que para manter os civis em segurança na Faixa de Gaza, é "crucial" um acordo sobre os reféns. 

A declaração de Jean Pierre surgiu depois de José Andrés ter apelado a Israel para abrir as passagens terrestres para a ajuda humanitária e para “parar de matar civis e trabalhadores humanitários”, segundo as agências internacionais.

"Compreendemos como o chef Andrés se está a sentir. Acabou de perder membros da sua equipa, tenho a certeza que também eram família para ele", disse Jean-Pierre, secretária de imprensa da Casa Branca, citada pelas agências internacionais. 

Exército israelita reconheceu que cometeu "um erro grave"

As Forças de Defesa de Israel reconheceram, na quarta-feira, que cometeram “um erro grave” e que o ataque de segunda-feira foi um “engano”. Já na terça-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tinha admitido que o exército israelita matou “sem querer” sete trabalhadores humanitários da ONG World Central Kitchen e explicou que o incidente vai ser alvo de uma investigação “exaustiva”

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, considerou "insuficientes" as declarações do primeiro-ministro israelita, na sequência do ataque aéreo de segunda-feira, de acordo com as agências internacionais.

"Penso que são absolutamente inaceitáveis e insuficientes e o que esperamos é uma clarificação muito mais determinada e muito mais detalhada do que aconteceu", afirmou Sánchez numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo do Qatar, em Doha.

Também o primeiro-ministro do Qatar considerou o ataque que matou os trabalhadores humanitários uma “violação das leis internacionais” e apelou à comunidade internacional que garanta a punição dos responsáveis

A World Central Kitchen afirmou ter coordenado com o exército israelita a deslocação dos seus veículos, onde circulavam os setes trabalhadores que foram mortos. Pelo menos um destes veículos tinha o logotipo da ONG impresso, de modo a facilitar a sua identificação.

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