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PPE não pretende acordo formal com CRE, mas poderá haver cooperação

Ursula von der Leyen (esq) tem mostrado interesse em trabalhar com a PM italiana, Giorgia Meloni
Ursula von der Leyen (esq) tem mostrado interesse em trabalhar com a PM italiana, Giorgia Meloni Direitos de autor Cecilia Fabiano/LaPresse
Direitos de autor Cecilia Fabiano/LaPresse
De  Shona MurrayJorge Liboreito
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O PPE não pretende fazer um acordo formal com CRE, mas poderá haver cooperação pontual, disse o secretário-geral, Thanasis Bakolas. O Pacto Ecológico Europeu tem sido “demasiado orientado ideologicamente” e precisa de ser repensado, afirmou na entrevista à Euronews.

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O Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, não procurará firmar um acordo formal com Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana e líder dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), uma das bancadas da direita radical no Parlamento Europeu.

Esse acordo não será feito nem para reeleger Ursula von der Leyen como presidente da Comissão Europeia, nem para apoiar uma maioria co-legislativa no próximo mandato do Parlamento Europeu, disse o secretário-geral do PPE, Thanasis Bakolas, segunda-feira, em entrevista à Euronews.

"O PPE procurará formar uma maioria no Parlamento Europeu com amigos e aliados com quem trabalhámos antes, atis com os socialistas, os liberais, espero que também com os verdes, talvez. E os números estão aí para essa maioria, e isso é bom ”, disse Thanasis Bakolas.

O PPE conquistou 186 assentos, muito à frente dos 135 obtidos pelo grupo Socialistas e Democratas (S&D) e dos 79 da bancada liberal, Renovar a Europa.

Mas, acrescentou Bakolas, quando se trata de “legislação importante, contaremos com eurodeputados que estejam dispostos a ouvir e a votar em nós”.

Esta cooperação dependerá de os legisladores mais à direita serem pró-europeus, pró-Estado de direito e pró-Ucrânia, ecoando os principais critérios que von der Leyen estabeleceu durante a sua campanha.

"Os eurodeputados de Giorgia Meloni podem querer votar em nós. E penso que isso seria óptimo. Mas não vejo nenhum (acordo) institucional ou mais formalizado para além disso", acrescentou Bakolas.

Questionado sobre se esta aproximação, mesmo que caso a caso, poderia ajudar a normalizar políticas ultraconservadoras, Bakolas elogiou a abordagem de Meloni à política europeia.

A primeira-ministra italiana é uma "líder muito querida e respeitada no Conselho (Europeu), não só com os líderes do PPE, mas também com outros líderes. Ela é muito construtiva e trabalha bem no Conselho e isso é importante para a Europa porque ela é líder de um país grande, da Itália", disse Bakolas.

"Neste momento, Giorgia Meloni é um ator muito construtivo no cenário europeu", acrescentou.

Uma possível aliança PPE-CRE dominou o ciclo eleitoral e alimentou especulações contínuas sobre a futura direção do Parlamento Europeu. Várias vezes perguntaram a Von der Leyen se aceitaria ou rejeitaria os votos de Meloni, dando cada vez uma resposta mais explícita de que, de facto, os aceitaria.

Mas quando os resultados provisórios se tornaram oficiais, no domingo à noite, von der Leyen mudou subitamente de tom e estendeu a mão aos Socialistas e Liberais para construir uma forte maioria centrista para os próximos cinco anos – sem qualquer menção a Giorgia Meloni.

“O centro aguentou”, disse von der Leyen.

A presidente do executivo europeu em exercício também se recusou a dizer se os Verdes, que passaram de 71 para 53 eurodeputados, fariam parte desta maioria pró-europeia, observando simplesmente que a sua prioridade seria S&D e Renovar a Europa e que a porta permanecia “aberta” para outros.

Na sua entrevista à Euronews, Bakolas falou dos Verdes como possíveis parceiros para uma grande coligação que possa “percorrer o longo prazo e que também possa crescer”.

“O cordão sanitário vai resistir”, previu.

É muito importante, na minha opinião, que o Parlamento atue de uma forma estratégica e muito política, porque só assim podemos manter uma coaligação centrista.
Thanasis Bakolas
Secretário-geral do PPE

Reformar o Pacto Ecológico

Os 27 líderes da UE deverão reunir-se duas vezes (17 de junho e 27-28 de junho) para discutir a distribuição dos cargos de topo nas instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento, chefia da diplomacia), onde será colocada em cima da mesa a candidatura à reeleição de von der Leyen.

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Se for nomeada para chefiar a Comissão Europeia por mais cinco anos, terá de enfrentar uma audiência de confirmação no Parlamento Europeu e obter pelo menos 361 (dos 720) votos a favor. Em 2019, foi confirmada por uma magra margem de nove votos (num hemiciclo que tinha 705 eurodeputados).

Embora o apoio dos líderes pareça praticamente garantido, o caminho no Parlamento será “complicado e difícil”, admitiu Bakolas. O ambicioso Pacto Ecológico, principal política estratégica de Von der Leyen, alienou alguns dos seus colegas do PPE, mais notavelmente Os Republicanos, de França, que a acusaram de araçar "políticas de decrescimento promovidas pela esquerda".

"O trabalho precisa de ser feito politicamente para motivar os nossos eurodeputados a seguirem a linha que os líderes querem. E é muito importante, na minha opinião, que o Parlamento atue de uma forma estratégica e muito política, porque só assim podemos manter uma coaligação centrista", disse Bakolas.

A retórica cada vez mais antagónica do PPE contra o Pacto Ecológico, encapsulada na batalha feroz para derrubar a Lei de Recuperação da Natureza, enfureceu os progressistas, que argumentam que os conservadores querem fazer uma pausa – ou mesmo reverter – os esforços feitos para alcançar a neutralidade climática.

Algumas das alegações explosivas que o PPE utilizou para contestar esta legislação foram descritas pelas ONG como desinformação.

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“Como partido político, queremos que o Pacto Ecológico tenha sucesso e, em última análise, é isso que as pessoas querem”, disse Bakolas. “Não somos negacionistas do clima.”

“Mas penso que, num certo sentido, houve um fracasso coletivo porque era demasiado orientado ideologicamente. E nós, no PPE, também temos uma responsabilidade porque permitimos que fosse motivado ideologicamente”, acrescentou, dizendo que faltava o “ângulo da concorrência”.

Os seus comentários sobre a "ideologia" ambiental assemelharam-se aos argumentos que Meloni e os seus aliados de extrema-direita utilizaram para criticar este Pacto. No seu manifesto, o CRE romete virar a legislação “de cabeça para baixo”.

“Temos a intenção de proteger os cidadãos, agricultores e empresas dos impactos negativos da atual política climática verde excessivamente ideológica”, diz o manifesto.

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