Nuno Loureiro morrreu na manhã de terça-feira, depois de ter sido baleado na noite anterior. Autoridades israelitas estão a examinar se se tratou de uma operação iraniana. Investigação norte-americana admite ligação com tiroteio na Universidade de Brown, que deixou dois mortos no passado sábado.
As autoridades israelitas estarão a analisar dados recolhidos pelos serviços secretos nos últimos dias para procurar uma eventual ligação do Irão ao homicídio de Nuno Loureiro, o cientista português que foi baleado junto a casa em Brookline, Massachusetts, nos Estados Unidos.
A informação é avançada pelo Jerusalem Post, que ressalva no entanto que esta investigação dos israelitas não é baseada, até ao momento, em qualquer dado oficial da investigação das autoridades norte-americanas.
O Jerusalem Post refere ainda que a investigação de Telavive está a ser conduzida tendo como pano de fundo a delicada área de investigação de Nuno Loureiro, que era considerado um dos maiores cientistas no campo da física e da energia nuclear, e também porque o cientista já tinha falado abertamente em apoio a Israel.
Porém, até ao momento, fontes citadas pela publicação admitem que não existem provas que liguem o homicídio do português a uma operação iraniana.
O Jerusalem Post assinala ainda que, em paralelo à investigação oficial, têm circulado nos últimos dias nas redes sociais e em alguns meios de comunicação especulações de que o assassínio teria sido motivado por afiliações políticas ou ideológicas do cientista, ou mesmo por razões de segurança.
Ligação com o tiroteio na Universidade de Brown
Nos Estados Unidos, a polícia garante que está a manter abertas todas as linhas de investigação. Já esta quinta-feira, as autoridades norte-americanas admitiram uma ligação entre a morte de Nuno Loureiro e o tiroteio na Universidade de Brown, ainda que esta mesma tese tenha sido rejeitada na quarta-feira pelo FBI.
A ligação foi estabelecida nas últimas 24 horas, depois de os detetives a trabalharem nos diferentes casos terem comparado notas e trocado informações, avançam fontes citadas pela imprensa dos EUA. A Universidade de Brown fica a cerca de 80 quilómetros do local onde Nuno Loureiro foi baleado na noite de segunda-feira. Dois estudantes foram mortos e vários ficaram feridos no tiroteio que aconteceu na noite de sábado. Também esta quinta-feira, a polícia norte-americana disse ter identificado uma "pessoa de interesse" relacionada com este caso.
O professor, um físico e cientista de fusão nuclear de 47 anos, natural de Viseu, foi baleado na noite de segunda-feira no seu apartamento em Brookline, Massachusetts, e transportado em estado crítico para um hospital de Boston, onde acabou por morrer, informou o Ministério Público de Norfolk, na terça-feira.
Nuno Loureiro ingressou no MIT em 2016 e foi nomeado no ano passado para liderar o Centro de Ciência do Plasma e Fusão do MIT, um dos maiores laboratórios da instituição, que contava com mais de 250 pessoas trabalhando em sete edifícios quando assumiu o comando.
Era casado e cresceu em Viseu, no centro de Portugal. Estudou em Lisboa antes de obter um doutoramento em Londres. Era investigador num instituto de fusão nuclear na capital portuguesa antes de chegar ao MIT.
Foi galardoado com três importantes prémios no campo da investigação: o Presidential Early Career Award for Scientists and Engineers (recebido este ano), o Prémio Thomas H. Stix da American Physical Society e o NSF Career Award.
A presidente do MIT, Sally Kornbluth, disse, num comunicado, que o assassinato foi uma "perda chocante".
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também divulgou um comunicado de condolências, classificando a morte de Loureiro como "uma perda irreparável para a ciência e para todos aqueles com quem ele trabalhou e conviveu".