Trabalhadores de todo o país uniram-se para protestar contra o pacote laboral apresentado pelo Governo. A reunião com o primeiro-ministro foi novamente adiada.
Dirigentes, delegados e ativistas sindicais da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) encontram-se em protesto, na tarde desta terça-feira, contra o pacote laboral.
A manifestação foi convocada pela central sindical liderada por Tiago Oliveira, tendo iniciado às 14:30 horas na Praça Luís de Camões, em Lisboa, rumo à Assembleia da República.
No final da manifestação, uma delegação da CGTP desloca-se à residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, para entregar um abaixo-assinado com "dezenas de milhares de assinaturas", segundo a agência Lusa. Com isto, os trabalhadores exigem a retirada do anteprojeto de revisão da legislação laboral.
A proposta do Governo, intitulada "Trabalho XXI", foi apresentada a 24 de julho, tendo sido imediatamente rejeitada pelas centrais sindicais, que a consideraram "um ataque" aos direitos dos trabalhadores. Já as confederações empresariais saudaram a reforma, apesar de terem admitido que há margem para aperfeiçoamentos.
Ministra do Trabalho quer perceber intenções da CGTP
A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, disse em declarações aos jornalistas, esta terça-feira, que "o direito de manifestação é um direito fundamental e, portanto, qualquer entidade pode exercer, a CGTP também".
Rosário Palma Ramalho apontou que, primeiro, queria perceber "o que é que a CGTP quer". Indicou também que, até agora, a CGTP "não quis nada" e "autoafastou-se das negociações da reforma do Trabalho XXI, ao contrário da UGT".
Ainda no âmbito do protesto, a ministra assegurou que a reunião da concertação social será marcada "proximamente", depois de ter sido adiada a pedido de alguns parceiros sociais. A reunião estava prevista para 14 de janeiro, tendo as eleições presidenciais sido o principal motivo do adiamento: "fazer reuniões destas numa altura em que as atenções das pessoas estão viradas para outras matérias, que evidentemente é o que acontece, é contraproducente".
No dia 11 de dezembro de 2025, a CGTP e a União Geral de Trabalhadores (UGT) levaram a cabo uma greve geral contra a proposta do Governo, a quinta, a juntar as duas centrais sindicais. Desde a apresentação do anteprojeto, em 24 de julho, a CGTP tem promovido diversas iniciativas de protesto para exigir a retirada da proposta.
Citado pela Lusa, Tiago Oliveira afirmou que a central sindical não descarta novas formas de luta e que, perante a posição que for transmitida pelo Governo na reunião com o primeiro-ministro ou na próxima reunião plenária de Concertação Social, cuja data não está marcada, "a CGTP irá apresentar aos trabalhadores a proposta que entender necessária para dar continuidade à luta".
Não exclui, ainda, a possibilidade de haver uma nova greve geral em convergência com a UGT.