As mudanças na segurança pessoal do ditador norte-coreano podem dever-se a preocupações com um possível assassinato após o envolvimento de Pyongyang na guerra da Rússia na Ucrânia, enquanto a operação dos EUA para capturar Maduro o fez temer um "ataque de decapitação", dizem os analistas.
O líder norte-coreano Kim Jong-un substituiu três altos funcionários responsáveis pela sua segurança pessoal, informou a Coreia do Sul na terça-feira, sugerindo que o líder pode temer tentativas de assassinato.
O Ministério da Unificação de Seul informou que três agências estatais responsáveis pela segurança de Kim têm agora novos chefes. A remodelação foi observada durante um desfile militar em outubro.
As mudanças no Comando de Guarda-Costas, que lida com as medidas de segurança contra ataques de drones ou eletrónicos, podem estar relacionadas com a decisão de Kim de enviar tropas para ajudar a Rússia na guerra contra a Ucrânia, afirmou Hong Min, analista do Instituto Coreano para a Unificação Nacional.
"A mudança no padrão da segurança de Kim foi detetada a partir de outubro de 2024, quando ele enviou tropas norte-coreanas para a Rússia", disse Hong Min.
"Ele pode ter avaliado que poderia haver uma tentativa de assassinato contra ele, envolvendo ucranianos, num contexto de aumento da atenção internacional devido ao envio das tropas."
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, este mês, também terá aumentado os temores de segurança em Pyongyang, segundo os analistas.
A operação representa um cenário de pesadelo para a liderança da Coreia do Norte, que há muito teme um "ataque de decapitação" e acusa Washington de tentar removê-la do poder.
A agência de espionagem de Seul revelou anteriormente que Kim reforçou os níveis de segurança ao seu redor devido ao risco de atentados contra a sua vida. Segundo a agência, o gabinete de Kim procurou, em resposta, equipamento capaz de interferir nas comunicações e equipamentos de deteção de drones.
No último ano, Kim tem sido frequentemente visto acompanhado pela sua filha Ju-ae em funções oficiais, incluindo numa recente inspeção a um submarino nuclear. Os analistas dizem que ela é provavelmente a próxima na linha de sucessão para governar a ditadura nuclear.