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Casa Pia acusado de violar sanções da UE ao receber dinheiro russo

Vladimir Putin com o aliado checheno Kadyrov
Vladimir Putin com o aliado checheno Kadyrov Direitos de autor  Alexander Kazakov/Sputnik
Direitos de autor Alexander Kazakov/Sputnik
De Euronews
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Clube da I Liga terá aceitado participar num esquema para transferir jogador para o FC Akhmat, que é propriedade de Ramzan Kadyrov, aliado de Putin.

O Casa Pia, clube da I Liga, terá recebido mais de um milhão de euros do FC Akhmat, clube russo que é propriedade de Ramzan Kadyrov, presidente da Chechénia e grande aliado de Vladimir Putin.

A notícia é avançada esta sexta-feira pelo jornal Público, que teve acesso à acusação do Ministério Público: o Casa Pia participou deliberadamente num esquema para ocultar do banco Montepio a origem do dinheiro, contornando assim as sanções da União Europeia à Rússia e evitando que os fundos provenientes do FC Akhmat fossem congelados.

Segundo a acusação, o Casa Pia e Tiago Lopes, gerente executivo que foi responsável pela transferência, sabiam que o movimento de dinheiro significava uma violação direta das sanções aprovadas após a invasão da Crimeia pela Rússia. Em causa estão crimes de branqueamento, falsificação de documento e de violação das restrições.

As verbas referem-se à compra dos direitos desportivos do avançado Felippe Cardoso, jogador do Casa Pia desde a temporada 2022-23. O clube russo FC Akhmat, sediado no Estado da Chechénia e que faz parte da Federação Russa, mostrou interesse no jogador, tendo chegado a acordo com o Casa Pia para pagar um valor de 1,5 milhões de euros, saldado em duas prestações: a primeira de um milhão de euros e a segunda com o valor remanescente. Kadyrov, que não é presidente do clube mas proprietário, está sujeito a sanções impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos da América.

O Ministério Público, segundo o Público, indica que o clube português foi avisado que, ao concretizar o negócio, iria violar sanções europeias, pelo que lhe foi proposto que a transferência com o pagamento fosse feita por uma empresa diferente do clube que ia comprar o jogador, uma entidade registada nos Emirados Árabes Unidos.

“O seguinte esquema é usado: Akhmat paga à Sila Marketing, a Sila Marketing paga à Sila International OMMC e a Sila International OMCC paga ao credor do FC Akhmat”, escreveu o responsável da empresa num email citado na acusação e que, de acordo com o Ministério Público, demonstra que o Casa Pia estava ciente de que se tratava de uma ilegalidade.

A Sila Marketing ficaria com uma comissão de 7,5% das verbas transferidas. O acordo entre o FC Akhmat e a Sila Marketing foi celebrado a 25 de Junho de 2024.

Segundo o Público, o gestor Tiago Lopes, arguido no processo, foi acusado de três crimes: um de violação de medidas restritivas, um de branqueamento e um de falsificação ou contrafação de documento. O Casa Pia responderá pelos mesmos crimes em julgamento se não houver alterações na fase de instrução. O presidente do clube, Vítor Franco, não foi imputado por ter alegadamente assinado apenas os documentos do processo de transferência a pedido do gestor Tiago Lopes.

Felippe Cardoso chegou efetivamente a jogar pelo FC Akhmat mas fez apenas 17 jogos pelo emblema russo, estando nesta altura na China, emprestado ao Henan FC, refere o Público. Em resposta ao jornal, o Casa Pia garante que agiu de "boa-fé" e que a transferência foi registada na plataforma oficial da FIFA.

"O FC Akhmat não é uma entidade sancionada pela União Europeia, nem existem indícios juridicamente sólidos de que esteja controlado por qualquer pessoa abrangida por medidas restritivas europeias. De resto, o Casa Pia desconhece esta suposta ligação que o Ministério Público estabelece entre o clube e Kadyrov, uma vez que este nome não consta de nenhuma documentação societária oficial relativa ao clube. As acusações assentam, pois, em pressupostos factuais e jurídicos incorrectos, não sustentados por prova sólida", defende-se o clube em comunicado enviado ao jornal.

Recorde-se que Ramzan Kadyrov é o presidente da Chechénia e tem sido um fiel aliado de Vladimir Putin, tendo enviado militares chechenos para a Ucrânia após a invasão russa.

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