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Caso contra Julio Iglesias pode alargar-se: "Fomos contactadas por outros ex-empregados"

ARQUIVO: Cantor espanhol Julio Iglesias durante a cerimónia de descerramento da sua estrela no Passeio da Fama em San Juan, Porto Rico, a 29 de setembro de 2016.
Arquivo: Cantor espanhol Julio Iglesias durante a cerimónia de descerramento da sua estrela no Passeio da Fama em San Juan, Porto Rico, a 29 de setembro de 2016 Direitos de autor  Copyright 2016 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2016 The Associated Press. All rights reserved.
De Christina Thykjaer
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Ministério Público investiga duas queixas contra Julio Iglesias por alegados crimes em 2021; advogadas relatam contactos de ex-trabalhadores e defesa questiona jurisdição espanhola.

Durante anos, o silêncio foi a norma em torno do que acontecia em determinados ambientes de trabalho ligados ao cantor Julio Iglesias. Um silêncio que se quebrou no início deste ano, quando duas ex-trabalhadoras do artista apresentaram uma denúncia ao Ministério Público espanhol por alegadas agressões sexuais e outros crimes graves cometidos, segundo o seu relato, entre janeiro e outubro de 2021.

Mas esses dois casos poderão ser alargados com novos testemunhos. Clara Serra Baiget, uma das advogadas da Women's Link que representa as duas alegadas vítimas, explica a 'Euronews': "Fomos contactadas por outros ex-trabalhadores que afirmam ter trabalhado para Julio Iglesias", refere. Por razões de segurança, acrescenta, não pode detalhar o conteúdo dessas conversas, embora sublinhe que não se pode descartar que surjam novos testemunhos de pessoas que tenham vivido situações semelhantes.

A advogada sublinha que não se trata de factos isolados nem de um único tipo de crime. "Estamos a denunciar condições laborais abusivas, ambientes violentos, assédio e abusos sexuais e também ofensas à integridade física". Segundo detalha, os factos relatados por Rebeca e Laura (nomes fictícios) poderão constituir igualmente crimes de tráfico de seres humanos para imposição de trabalho forçado e servidão, além de assédio sexual, agressões sexuais, ofensas à integridade física e crimes contra os direitos dos trabalhadores.

O denunciado tem uma posição de influência e poder, com uma capacidade considerável para levar a cabo represálias e intimidações
Clara Serra Baiget
Advogada da Women's Link Worldwide

Embora se trate de duas denunciantes distintas, o caso é apresentado de forma conjunta pelas semelhanças entre os dois relatos. "Ao analisar os testemunhos e o conjunto de indícios que conseguimos reunir, há muitíssimas coincidências", afirma Serra Baiget. Coincidem, diz, na descrição da vida nas residências, nos tratos recebidos, nas condições laborais e nas situações de assédio e violência sexual. A Women's Link insiste que o seu trabalho assenta numa premissa clara: "Trabalhamos sempre apoiando o testemunho e acreditando nas vítimas, seja uma ou sejam várias".

A denúncia não assenta apenas nos relatos de Rebeca e Laura. "Reunimos uma série bastante extensa de indícios de diversa natureza", explica a advogada. Testemunhos e documentação já foram comunicados ao Ministério Público, que deverá avaliar se esse conjunto probatório permite avançar para uma fase judicial posterior. "Agora caberá ao Ministério Público determinar se os factos denunciados e as provas apresentadas são suficientes", aponta.

Campanhas de descrédito contra as vítimas

Desde que o caso se tornou público, surgiram questionamentos e campanhas de descrédito contra as denunciantes, algo que Serra Baiget afirma ser expectável. "Estamos a ver imensa informação falsa a circular na internet", afirma. "Sabemos que, neste tipo de casos, aparecem ações destinadas a desacreditar as vítimas, a pôr em causa o seu testemunho e a sua veracidade".

Perante isso, a mensagem da organização é contundente: "Aqui o que está em discussão é uma alegada conduta criminosa, não a credibilidade das vítimas".

O medo esteve presente desde o início do acompanhamento jurídico. Segundo a advogada, Rebeca e Laura manifestaram desde o primeiro contacto receio pela sua segurança e pela sua vida privada. "O denunciado tem uma posição de influência e poder, com uma capacidade considerável para levar a cabo represálias e intimidações", explica. Daí o pedido de anonimato. "Isso não é incompatível com quererem erguer a voz e procurar justiça e reparação pelo dano sofrido".

Ainda há muitíssimo trabalho a fazer para evitar a revitimização e para que a sociedade entenda como operam as violências de género
Clara Serra Baiget
Advogada da Women's Link Worldwide

Para lá do percurso judicial, a advogada insiste no significado social do caso. "Não é fácil quebrar o silêncio", reconhece. "Ainda há muitíssimo trabalho a fazer para evitar a revitimização e para que a sociedade entenda como operam as violências de género".

Rebeca e Laura, diz, têm claro o que esperam deste processo: "Querem garantias de não repetição e reparação". E deixam uma mensagem que consideram essencial: "A sociedade precisa de ouvir e apoiar as sobreviventes de violência sexual".

Iglesias nega as acusações

Na semana passada, e após vários dias de silêncio, o cantor espanhol publicou no seu perfil de Instagram um comunicado sobre o caso. "Nego ter abusado, coagido ou faltado ao respeito a qualquer mulher", escreveu Iglesias. "Estas acusações são absolutamente falsas e causam-me uma grande tristeza", acrescentou.

Desde então, a sua defesa pediu o arquivamento do processo por "falta de competência" da Justiça espanhola, dado que os factos ocorreram numa residência de Iglesias na República Dominicana. A este respeito, Serra Baiget sustenta que há argumentos sólidos para que a Justiça espanhola conheça os factos, entre eles a nacionalidade do denunciado, a natureza dos crimes e o facto de não terem sido investigados nem sancionados de forma efetiva nos países onde teriam ocorrido.

Para já, acrescenta Serra Baiget, não houve qualquer contacto nem proposta de acordo por parte da defesa do cantor.

'Euronews' contactou o Bufete Choclán, que representa legalmente Julio Iglesias neste processo, mas o escritório declinou fazer comentários.

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