À medida que as tensões militares e políticas aumentam, a possibilidade de um confronto direto entre os Estados Unidos e o Irão volta a estar na ordem do dia.
O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, ter-se-á mudado para um bunker subterrâneo fortificado com uma rede de túneis em Teerão, de acordo com um relatório publicado no sábado pelo site da oposição Iran International, na sequência de avisos de altos funcionários militares e de segurança sobre a crescente probabilidade de um ataque dos EUA.
Masoud Khamenei, terceiro filho do líder, assumiu as responsabilidades quotidianas de Khamenei e tornou-se o principal canal de comunicação com os órgãos executivos do governo do regime.
Ocomandante das forças terrestres do exército iraniano, brigadeiro-general Ali Jahanshahi, sublinhou que a unidade das forças armadas é a "chave para derrotar o inimigo" em situações de crise, salientando a necessidade de as forças militares trabalharem "como um só corpo".
As forças terrestres do exército defenderão o território iraniano ao lado das forças terrestres do IRGC, afirmou, declarando-se pronto a fazer "todas as formas de sacrifício" para proteger o país e defender o Irão "até à morte".
Washington ameaça com a força, Teerão avisa
Esta mobilização coincidiu com novos rumores de um possível ataque dos EUA contra o regime iraniano, depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter dado a entender, na semana passada, que essa opção estava a recuar, dizendo que as mortes associadas à repressão dos protestos estavam a diminuir e que não acreditava que houvesse planos para realizar execuções em larga escala.
Mas o cenário mudou rapidamente, com Trump a anunciar que os EUA "têm muitos navios a dirigir-se para o Irão" e a manifestar a esperança de que "não tenhamos de os utilizar".
Um alto funcionário iraniano declarou que o Irão trataria qualquer ataque como uma "guerra total contra nós", uma mensagem que a República Islâmica tem repetido nos últimos dias.
O Presidente iraniano,Masoud Bazeshkian, declarou anteriormente que qualquer ataque dos EUA que vise Khamenei "é equivalente a uma guerra total contra a nação iraniana".
Na sexta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs novas sanções ao Irão em resposta à repressão dos manifestantes.
Receio de um "ataque preventivo"
Em Israel, o Canal 12 falou sobre os receios crescentes de que o Irão possa levar a cabo um "ataque preventivo". Israel está a reforçar os seus sistemas de defesa aérea e as suas capacidades ofensivas, tendo em conta a convicção de que a opção militar dos EUA ainda existe e que Washington está a procurar o momento mais adequado para agir.
O canal noticiou que as forças armadas norte-americanas se preparam para concluir, dentro de alguns dias, uma mobilização militar em grande escala na região, incluindo o envio de um porta-aviões, navios de combate naval, esquadrilhas de caças, além de sistemas dedicados à interceção de mísseis.
Ao mesmo tempo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, afirmou que os países da região não querem uma nova guerra que abra portas largas à incerteza, alertando para a necessidade de "abrir uma nova grande ferida", numa altura em que as feridas da Síria e do Iraque ainda não estão saradas. Fidan disse ter dito ao Irão, enquanto país amigo, tudo o que tinha de ser dito e partilhou a visão do seu país sobre o que está certo e o que tem de ser feito, manifestando a sua esperança de que Teerão encontre uma solução.
Ao mesmo tempo, Fidan referiu que há indícios de que Israel continua a tentar lançar um ataque contra o Irão, referindo que Teerão acredita que é possível chegar a um entendimento com os EUA sobre o dossier nuclear, mas Washington está a acrescentar outros dossiers para além deste.