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Dinamarca vai expulsar cidadãos não dinamarqueses se forem presos durante pelo menos um ano por crimes graves

A polícia agarra um refugiado enquanto centenas de refugiados caminham na autoestrada da Jutlândia do Sul, perto de Padborg, 9 de setembro de 2015
A polícia agarra um refugiado enquanto centenas de refugiados caminham na autoestrada da Jutlândia do Sul, perto de Padborg, 9 de setembro de 2015 Direitos de autor  AP Photo
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De Artur Capuani
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A primeira-ministra Mette Frederiksen reconheceu que o governo estava a agir de forma "pouco convencional" ao não esperar pelas decisões dos tribunais nos casos de deportação.

A Dinamarca vai expulsar os cidadãos não dinamarqueses que tenham cumprido penas de prisão iguais ou superiores a um ano por crimes graves, no âmbito de novas medidas destinadas a reforçar a política de imigração, anunciou o governo na sexta-feira.

"Os estrangeiros condenados a pelo menos um ano de prisão por crimes graves, como agressão agravada e violação, devem, em princípio, ser expulsos", declarou o ministério da Imigração em comunicado.

De acordo com os regulamentos atuais, as expulsões não são automáticas, uma vez que a Dinamarca cumpre as convenções internacionais que protegem o direito à vida privada e familiar e proíbem tratamentos desumanos.

O país escandinavo, juntamente com o Reino Unido, apelou recentemente à Europa para que proceda à reforma da Convenção Europeia dos Direitos do Homem (CEDH), que protege as liberdades fundamentais.

Primeira-ministra dinamarquesa apresenta a nova reforma do governo em matéria de deportação, durante uma conferência de imprensa em Copenhaga, 30 de janeiro de 2026
Primeira-ministra dinamarquesa apresenta a nova reforma do governo em matéria de deportação, durante uma conferência de imprensa em Copenhaga, 30 de janeiro de 2026 AP Photo

"É correto e necessário que os países europeus se sentem à volta de uma mesa e digam que preferem proteger os seus países em vez de proteger os infratores", afirmou a primeira-ministra Mette Frederiksen aos jornalistas.

"Quando as regras internacionais foram elaboradas, penso que ninguém imaginou que alguém fugisse do Médio Oriente para vir para o melhor país do mundo e começasse a violar raparigas e mulheres".

"Na altura, não se imaginava de forma alguma que a vítima se tornaria o criminoso. E posso garantir-vos que, infelizmente, muitos deles se tornaram", acrescentou.

Em maio do ano passado, Frederiksen e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, juntamente com outros nove dirigentes europeus, assinaram uma carta aberta a apelar a uma reinterpretação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem.

De acordo com as estatísticas do ministério da Imigração, cerca de 70% dos estrangeiros condenados a penas de prisão de um ano ou mais por crimes graves foram expulsos.

Além disso, o governo, que insistiu que "os refugiados devem estar na Dinamarca a título temporário", tenciona aumentar os incentivos ao regresso voluntário e tornar mais rigorosas as regras aplicáveis aos estrangeiros nos centros de partida.

O governo de Frederiksen tem seguido uma política de "zero refugiados" desde que chegou ao poder em 2019.

O ano passado marcou um mínimo histórico nas admissões de asilo para o país escandinavo. De acordo com o governo, 839 pedidos foram concedidos até ao final de novembro.

Foi apenas a quarta vez que foram aceites menos de 1000 pedidos desde 1983.

O anúncio dinamarquês surge no momento em que a UE revelou uma nova estratégia quinquenal em matéria de migração. O bloco pretende reforçar as parcerias com países terceiros para garantir o regresso dos cidadãos e reduzir a migração irregular para a Europa.

Outras fontes • AP, AFP

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