Em pelo menos 16 cidades portuguesas, manifestantes dizem que “já não dá”. Mais de 80 organizações apoiam o protesto.
Este sábado, várias cidades portuguesas voltam a receber protestos contra a crise na habitação. A organização diz que “já não dá" – é este o slogan escolhido – e mostra-se contra as medidas do Governo para resolver o problema.
Em Lisboa, a manifestação parte do Marquês de Pombal e, no Porto, da Praça da Batalha, às três da tarde. Mas em algumas cidades, como a Covilhã, Portalegre ou Faro, os protestos estavam marcados para esta manhã.
A manifestação é organizada pela plataforma Casa Para Viver e tem como alvo as medidas do Governo. A plataforma diz que as medidas em vigor estão a ter o efeito contrário, ao aumentarem o preço das casas.
“Desde o primeiro pacote de medidas, os preços das casas já subiram 27%”, pode ler-se na convocatória da manifestação, que na manhã deste sábado já contava com o apoio de 88 organizações.
“Na prática, o Governo e os partidos que têm deixado passar estas medidas puxam os preços para cima e normalizam o absurdo, premiando senhorios, promotores e fundos imobiliários”, continua o texto.
O movimento mostra-se também contra as alterações às leis do arrendamento, entretanto anunciadas pelo Governo, que vão facilitar os despejos em situações de falta de pagamento das rendas. A proposta tem ainda de passar pela Assembleia da República.
A plataforma defende medidas alternativas, como a regulação das rendas, o aumento da oferta de habitação pública e o combate às casas vazias e usadas pelo turismo.
Preocupações que já foram transmitidas ao novo presidente da República. Na segunda-feira, o movimento entregou uma carta a António José Seguro. Nesta carta, o grupo pedia o respeito pelo direito à habitação, previsto na Constituição, e um veto à lei dos despejos.