Os Estados Unidos anunciaram a retirada antecipada de urânio altamente enriquecido da Venezuela, com o apoio da AIEA e do Reino Unido, considerando-a um "marco" na segurança nuclear.
Os Estados Unidos concluíram uma missão acelerada de remoção de urânio altamente enriquecido de um reator nuclear desativado na Venezuela, uma operação coordenada com as autoridades venezuelanas e o Reino Unido, e com o apoio técnico da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), informou Washington.
"Os Estados Unidos, em cooperação com a Venezuela e o Reino Unido e com o apoio técnico da AIEA, removeram com sucesso o urânio altamente enriquecido em excesso do reator de investigação RV-1 da Venezuela", afirmou o Departamento de Estado num comunicado na quinta-feira, qualificando a operação como um "marco fundamental" para a segurança nuclear global.
O RV-1 foi o primeiro e único reator nuclear do país sul-americano, inicialmente construído para investigação científica pacífica e mais tarde convertido para esterilização por raios gama de produtos médicos e alimentares. De acordo com Washington, a remoção do material nuclear foi concluída em questão de meses, mais de dois anos antes do previsto inicialmente.
No final de abril, a Venezuela embalou o urânio altamente enriquecido, outrora fornecido ao abrigo do programa americano "Átomos para a Paz", e preparou-o para o transporte. O material foi transportado pelo Reino Unido e chegou no início de maio ao complexo nuclear de Savannah River, na Carolina do Sul, para eliminação final.
A AIEA desempenhou um papel fundamental como observador e consultor técnico durante todo o processo. De acordo com o Departamento de Estado, a agência sediada em Viena confirmou a transferência de 13 quilogramas de urânio enriquecido a pouco mais de 20%, em conformidade com os esforços internacionais para reduzir os riscos de proliferação.
A operação teve lugar num momento de aproximação entre Washington e Caracas, depois das forças norte-americanas terem capturado o então presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro passado. Desde então, a administração Trump tem estado disposta a trabalhar com uma das figuras-chave do Chavismo, Delcy Rodriguez.
Trump e o urânio do Irão
O anúncio surge num contexto marcado por repetidas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o seu interesse em controlar o urânio iraniano. Trump tem defendido, nos últimos meses, que Washington deve garantir que o Irão não guarda material nuclear que possa ser utilizado para fins militares.
A Casa Branca insiste que a retirada do urânio venezuelano reforça a credibilidade dos EUA em questões de não-proliferação e envia uma mensagem direta a outros países, incluindo o Irão, sobre a determinação de Washington em reduzir os riscos nucleares a nível global.