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Taiwan diz não ter recebido aviso dos EUA sobre pausa na venda de armas

Um soldado arreia a bandeira nacional de Taiwan durante a cerimónia diária do hastear da bandeira no Memorial Chiang Kai-shek, em Taipé, 29 de abril de 2025
Militar baixa a bandeira nacional de Taiwan na cerimónia diária no Memorial Chiang Kai-shek, em Taipé, 29 de abril de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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Tal como outros países que mantêm relações diplomáticas formais com Pequim, os Estados Unidos não reconhecem Taiwan como país, mas Washington continua a ser o principal aliado da ilha e o seu maior fornecedor de armas.

Taiwan não foi notificado de qualquer suspensão numa prevista venda de armamento de 14 mil milhões de dólares (12 mil milhões de euros) à ilha com governo próprio por parte dos Estados Unidos, disse esta sexta-feira um responsável governamental.

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A declaração surgiu depois de o secretário interino da Marinha dos EUA ter dito a uma comissão do Senado, em Washington, que algumas vendas de material militar ao estrangeiro estavam a ser adiadas para garantir que as Forças Armadas norte-americanas têm munições suficientes para a guerra no Irão.

Dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter levantado dúvidas sobre a continuação das vendas de armas a Taiwan, que a China reivindica como seu território, o secretário interino da Marinha dos EUA, Hung Cao, afirmou na quinta-feira que as vendas seriam retomadas quando a administração o considerar apropriado.

“Neste momento estamos a fazer uma pausa para garantir que temos as munições de que precisamos para a Epic Fury’”, disse Cao à Subcomissão de Defesa de Apropriações do Senado dos EUA, referindo-se ao nome dado pela administração Trump à operação no Irão.

“Depois, as vendas militares ao estrangeiro continuarão quando a administração o considerar necessário.”

As autoridades taiwanesas tomaram conhecimento das notícias, “mas, de momento, não há qualquer informação sobre eventuais ajustes que os EUA venham a fazer a esta venda de armas”, afirmou a porta-voz da presidência de Taiwan, Karen Kuo, quando questionada esta sexta-feira sobre os comentários de Cao.

O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, discursa numa conferência de imprensa em Taipé por ocasião do segundo aniversário do seu mandato, 20 de maio de 2026
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, discursa numa conferência de imprensa em Taipé por ocasião do segundo aniversário do seu mandato, 20 de maio de 2026 AP Photo

A China considera Taiwan uma província separatista que deve ser colocada sob o seu controlo, pela força se necessário.

Tal como outros países que mantêm relações diplomáticas formais com Pequim, os EUA não reconhecem Taiwan como país, mas Washington continua a ser o principal apoiante e fornecedor de armas da ilha.

Em dezembro, a administração republicana de Trump autorizou um pacote de armamento de 11 mil milhões de dólares (9 mil milhões de euros) para Taipé, mas o processo ainda não avançou.

Os legisladores norte-americanos aprovaram também, em janeiro, uma venda de armas separada, no valor de 14 mil milhões de dólares, a Taiwan, embora o acordo não possa avançar até Trump o submeter formalmente ao Congresso.

Numa entrevista à Fox News, no regresso aos Estados Unidos após a viagem da semana passada a Pequim, Trump afirmou que as vendas de armas a Taiwan são “um trunfo negocial muito bom” nas relações de Washington com a China.

Na quarta-feira, ao assinalar dois anos de mandato, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, disse que, se tiver oportunidade, dirá a Trump para continuar as compras de armas norte-americanas, que considerou essenciais para a paz.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante um evento sobre o afrouxamento de uma regra federal relativa a refrigerantes, no Salão Oval da Casa Branca, 21 de maio de 2026
O Presidente dos EUA, Donald Trump, fala durante um evento sobre o afrouxamento de uma regra federal relativa a refrigerantes, no Salão Oval da Casa Branca, 21 de maio de 2026 AP Photo

China adverte os EUA

Questionado sobre os comentários de Cao, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, afirmou que “a oposição da China à venda de armas dos EUA à região chinesa de Taiwan é consistente, clara e resoluta”.

Na semana passada, durante a visita de Trump a Pequim, o presidente chinês, Xi Jinping, lançou um forte aviso, dizendo-lhe que a “questão de Taiwan” é o tema mais importante nas relações entre os EUA e a China e que os dois países podem “ter confrontos e até conflitos” se o assunto não for tratado de forma adequada.

Mais tarde, Trump disse aos jornalistas que precisava de falar com a pessoa que dirige Taiwan, sem mencionar Lai, que Pequim considera um separatista.

Um eventual encontro entre Trump e Lai deverá irritar a China, que costuma reagir de forma enérgica às visitas de políticos norte-americanos a Taiwan.

Kuo, a porta-voz presidencial de Taiwan, afirmou esta sexta-feira que não há mais informações sobre uma eventual conversa entre Lai e Trump.

Outras fontes • AP

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