Produtora do ChatGPT prepara entrada em bolsa, que poderá tornar-se a maior estreia de sempre, se a SpaceX não se antecipar
A OpenAI aproxima-se de uma das estreias em bolsa mais aguardadas de sempre, com planos para apresentar o pedido de oferta pública inicial (IPO) nos próximos dias, segundo o Wall Street Journal.
Sam Altman, diretor-executivo, aponta para uma estreia em bolsa em setembro de 2026, o que representará uma mudança profunda para uma empresa que começou, em 2015, como laboratório de investigação sem fins lucrativos.
1. IPO pode ser o maior de sempre
OpenAI estará a apontar para uma captação de 60 mil milhões de dólares (55,4 mil milhões de euros) na estreia em bolsa.
Segundo a Deutsche Bank Research, esse montante mais do que duplicaria a operação de 25,6 mil milhões de dólares (23,6 mil milhões de euros) da Saudi Aramco em 2019, então a maior oferta pública inicial de sempre.
Há, no entanto, um senão: a SpaceX, que entregou esta semana o seu próprio prospeto de IPO, pretende captar até 75 mil milhões de dólares (69,1 mil milhões de euros) e procura uma valorização entre 1,75 biliões de dólares (1,61 biliões de euros) e 2 biliões de dólares (1,84 biliões). Isto coloca as duas empresas em concorrência direta pela maior operação de sempre em bolsa.
Segundo o Wall Street Journal, a OpenAI contratou o Goldman Sachs e o Morgan Stanley para prepararem um prospeto que poderá ser entregue confidencialmente aos reguladores nos próximos dias.
2. Avaliação de 1 bilião de dólares pode tornar empresa na 14.ª maior do mundo
As projeções apontam para que a OpenAI possa ser avaliada em mais de 1 bilião de dólares (922 mil milhões de euros) na oferta.
O analista Adrian Cox, da Deutsche Bank Research, fez as contas ao que isso significaria.
Tal colocaria a criadora do ChatGPT imediatamente atrás da Berkshire Hathaway. O conglomerado gerou no ano passado receitas superiores a 370 mil milhões de dólares (341 mil milhões de euros) e lucros líquidos de 67 mil milhões de dólares (61,8 mil milhões de euros).
A OpenAI surgiria logo à frente da Eli Lilly, cujas vendas ultrapassaram os 65 mil milhões de dólares (59,9 mil milhões de euros), com um lucro de 21 mil milhões de dólares (19,4 mil milhões de euros).
A Nvidia mantém-se muito à frente. A empresa tem a maior capitalização bolsista do mundo e é, nos mercados públicos, o ativo mais próximo de um grande investimento puramente focado em inteligência artificial. Vale 5,4 biliões de dólares (€4,98 biliões), depois de as ações terem multiplicado o seu valor por mais de 13 desde o lançamento do ChatGPT, em 30 de novembro de 2022, nota a Deutsche Bank Research.
3. Investidores procuram exposição direta a IA pura
Neste momento, os pequenos investidores que querem exposição à inteligência artificial têm opções limitadas. Podem investir em fabricantes de semicondutores, prestadores de serviços de cloud ou grandes tecnológicas.
De acordo com a Deutsche Bank Research, a entrada em bolsa da OpenAI desencadearia "uma corrida para tirar o máximo partido do apetite dos investidores por exposição direta a empresas de IA pura nos mercados públicos", algo que pura e simplesmente ainda não existe hoje.
4. Disputa por IPOs de IA intensifica-se
A OpenAI não está sozinha. A Anthropic, criadora do modelo Claude, tem registado um forte crescimento.
No mês passado ultrapassou a OpenAI em vendas, ao atingir 30 mil milhões de dólares (27,7 mil milhões de euros) em receitas recorrentes anualizadas, face aos 25 mil milhões de dólares (23,1 mil milhões de euros) da OpenAI.
Projeta-se que a Anthropic atinja cerca de 40 mil milhões de dólares (36,9 mil milhões de euros) em receitas recorrentes anuais já este mês, segundo projeções do The Information citadas pela Deutsche Bank Research.
A empresa poderá procurar captar mais de 60 mil milhões de dólares (55,4 mil milhões de euros) na sua própria oferta pública inicial ainda este ano.
A Anthropic está também em negociações com investidores para uma ronda de financiamento que avaliaria a companhia em 900 mil milhões de dólares (830 mil milhões de euros). Isso colocá-la-ia acima da atual avaliação de mercado privado da OpenAI, de 852 mil milhões de dólares (786 mil milhões de euros).
Uma captação de 60 mil milhões de dólares seria também superior ao total angariado em IPOs nos Estados Unidos em todos os anos desde 1980, exceto quatro, assinala a Deutsche Bank Research, citando dados da Universidade da Flórida.
Atualmente, o mercado acionista norte-americano vale cerca de 70 biliões de dólares (64,6 biliões de euros).
É aproximadamente cinco vezes mais, em termos nominais, do que no pico da bolha das pontocom.
5. Permanecem grandes dúvidas sobre o modelo de negócio
Apesar da dimensão e da ambição, a OpenAI nunca apresentou lucros.
Segundo a Deutsche Bank Research, a empresa deverá gerar cerca de 30 mil milhões de dólares (27,7 mil milhões de euros) em receitas anualizadas já este mês.
Mas projeções internas divulgadas pelo The Information sugerem que está a caminho de perder 14 mil milhões de dólares (12,9 mil milhões de euros) só em 2026.
As perdas acumuladas poderão atingir 44 mil milhões de dólares (40,6 mil milhões de euros) antes de a empresa alcançar rentabilidade em 2029.
"Ainda está por ver como é que os mercados públicos vão avaliar a OpenAI e os seus pares quando abrirem as contas ao escrutínio e explicarem a economia, ainda pouco compreendida, dos seus modelos de negócio", resume a Deutsche Bank Research.
A OpenAI tem vindo a preparar-se. Simplificou a oferta de produtos, concentrou-se em clientes empresariais e clarificou a parceria com a Microsoft.
Em outubro de 2025 concluiu a transição de entidade sem fins lucrativos para sociedade de benefício público. Mas continuam por responder as questões sobre como avaliar empresas de modelos de IA.
Nos últimos meses, a OpenAI tem vindo a preparar o terreno com cuidado, ao simplificar os produtos, focar-se em clientes empresariais e clarificar a parceria com a Microsoft.
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