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Países rivais aliciam profissionais de tecnologia à medida que a corrida ao talento se intensifica

Robô dá uma palmada na mão a um visitante na VivaTech, feira de tecnologia em Paris, França. 16 de junho de 2017.
Robô bate na mão de visitante na Vivatech, salão de tecnologia em Paris, França. 16 de junho de 2017. Direitos de autor  AP/Thibault Camus
Direitos de autor AP/Thibault Camus
De Servet Yanatma
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Mais de um em cada três profissionais STEM são contactados por rivais para cargos no estrangeiro, revela inquérito global da SThree; melhor qualidade de vida e salários mais altos pesam

Empresas tecnológicas aliciam cada vez mais talento de concorrentes, numa corrida para manter vantagem.

Governos também estão a investir fortemente em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), numa corrida por conhecimento especializado global, segundo um novo relatório da empresa de recrutamento SThree.

Mais de um em cada três profissionais de STEM inquiridos (35%) afirmam que empresas rivais os abordaram para funções no estrangeiro no último ano.

“As principais nações STEM apostam em cientistas, engenheiros, inovadores e tecnólogos para dinamizar as suas economias. Isso está a provocar grandes movimentos de pessoas, sobretudo talento técnico de topo atraído por funções em economias STEM desenvolvidas”, disse Timo Lehne, CEO da SThree.

O relatório STEM Workforce mostra a dimensão da caça ao talento em seis das principais economias do setor: Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Alemanha, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos (EAU).

Em conjunto, estes seis países representam cerca de metade da despesa global em I&D e dos depósitos internacionais de patentes, sublinhando a sua importância no ecossistema global de STEM. O inquérito abrangeu 5 391 adultos e foi realizado em julho e agosto de 2025.

A proporção de trabalhadores STEM abordados para funções no estrangeiro varia consoante o país. Os EAU e o Japão são extremos opostos da escala, com 56% e 5%, respetivamente. Três países europeus situam-se perto da média global de 35%. Os Países Baixos registam a maior quota, 44%, seguidos da Alemanha com 37%. No Reino Unido, 31% dos trabalhadores STEM foram abordados nos 12 meses anteriores ao inquérito.

Os números refletem o local de residência dos trabalhadores, não a sua nacionalidade.

O relatório aponta que a concorrência feroz por cientistas, engenheiros e tecnólogos é alimentada pela ascensão internacional de políticas comerciais e industriais protecionistas, que incentivam investimentos públicos maciços em tecnologia.

Um em cada cinco prepara mudança para o estrangeiro em 2026

Um em cada cinco trabalhadores de STEM (19%) planeia mudar para o estrangeiro nos próximos 12 meses ou já está nesse processo, indica o inquérito. Os Países Baixos surgem em segundo lugar, com 30%, atrás dos EAU (34%). A percentagem é de 22% na Alemanha e de 13% no Reino Unido.

“Os profissionais de STEM mudam de país não só por salários mais altos, mas também por qualidade de vida, evolução na carreira e equilíbrio. A competitividade já não se resume aos salários; trata-se de criar condições para que as pessoas queiram construir o seu futuro”, afirmou Lehne.

Entre os que planeiam ou já estão a mudar para o estrangeiro para trabalhar, mais de metade (57%) já aceitou novas funções.

Isto sugere que até 11% da força de trabalho global em STEM poderá estar em movimento nos próximos 12 meses. O período abrange o final de 2025, mas incide sobretudo em 2026.

Motivações para procurar oportunidades no estrangeiro

Os trabalhadores de STEM são empurrados para o estrangeiro por vários motivos, desde objetivos profissionais e de estilo de vida a pressões económicas. Dois fatores destacam-se entre quem pondera a mudança: melhor qualidade de vida e salários mais altos.

Um em cada três inquiridos (32%) aponta “melhor qualidade de vida” como razão para mudarem de país; no Reino Unido, a percentagem sobe para 44%, sinal de insatisfação com o estilo de vida disponível.

A nível global, os incentivos financeiros continuam a ser um forte atrativo para outros 31%, reflexo do impacto persistente das recentes pressões inflacionistas.

Entre os países em foco, os inquiridos nos EAU (39%) e no Reino Unido (38%) são os mais propensos a dizer que mudariam por melhor remuneração.

Melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional surge como o terceiro fator de atração mais determinante, com o Reino Unido a registar a maior quota, 33%.

Para onde vão?

O relatório conclui que os movimentos ocorrem em fluxos sobrepostos: talento oriundo dos EAU segue para a Europa, o Reino Unido e a América do Norte, enquanto os profissionais de STEM no Reino Unido procuram a Europa, a Austrália e os Estados Unidos. Nos Estados Unidos, muitos trabalhadores exploram oportunidades na Europa, no Reino Unido e no Canadá.

Na Alemanha, 39% dos líderes em STEM já viram talento partir para outros países no último ano. Os três principais destinos foram os Estados Unidos, a Suíça e o Canadá.

Para quem escolhe os Estados Unidos, os principais motivos foram salários mais altos e abundantes oportunidades de carreira e investigação, sobretudo nas TI e na tecnologia.

Para os que optam pela Suíça, os fatores de atração foram salários mais altos e uma forte indústria de tecnologia farmacêutica.

Já os que escolhem o Canadá foram atraídos pela qualidade de vida, políticas de imigração acolhedoras e polos tecnológicos dinâmicos.

“O resultado não é uma fuga de cérebros num só sentido, mas uma troca global de competências”, conclui o relatório.

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