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Trump vai baixar tarifas à Índia depois de Modi ter concordado em deixar de comprar petróleo russo

O Presidente Donald Trump caminha no relvado sul à chegada à Casa Branca, domingo, 1 de fevereiro de 2026, em Washington.
O Presidente Donald Trump caminha no relvado sul à chegada à Casa Branca, domingo, 1 de fevereiro de 2026, em Washington. Direitos de autor  Jose Luis Magana/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
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De Euronews
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Trump disse que a Índia também começaria a reduzir para zero os impostos de importação sobre os produtos americanos e compraria 500 mil milhões de dólares em produtos americanos. Há muito que Trump mantém relação calorosa com Modi, que se complicou devido à guerra na Ucrânia e disputas comerciais.

Donald Trump anunciou na segunda-feira que planeia baixar as taxas alfandegárias sobre os bens provenientes da Índia de 25% para 18%, depois de o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ter concordado em deixar de comprar petróleo russo.

A medida surge após meses em que Trump pressionou a Índia a reduzir a sua dependência do crude russo, mais barato. A Índia tem tirado partido da redução dos preços do petróleo russo, uma vez que grande parte do mundo tem procurado isolar Moscovo devido à invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Trump disse que a Índia também começaria a reduzir seus impostos de importação sobre produtos dos EUA para zero e compraria 500 mil milhões em produtos americanos.

"Isso ajudará a acabar com a guerra na Ucrânia, que acontece agora, com milhares de pessoas a morrer a cada semana!", escreveu Tump numa publicação na rede social Truth Social, anunciando a redução de tarifas para a Índia.

Modi escreveu no X que estava "encantado" com a redução de tarifas anunciada e que a "liderança de Trump é vital para a paz, estabilidade e prosperidade globais".

"Estou ansioso para trabalhar em estreita colaboração com ele para levar a nossa parceria a alturas sem precedentes", disse Modi, saudando um telefonema "maravilhoso" com Trump, mas não fez referência à afirmação de Trump sobre a suspensão das compras de petróleo russo.

As promessas de Trump de acabar com a guerra na Ucrânia

A recusa da Índia em parar de comprar petróleo da Rússia - que Washington diz financiar a invasão da Ucrânia pela Rússia - tem sido motivo de discórdia por meses, enquanto Trump procura um fim para a guerra da Ucrânia.

O presidente norte-americano tem-se esforçado por cumprir a promessa de campanha de acabar rapidamente com a guerra Rússia-Ucrânia e tem-se mostrado relutante, desde o seu regresso ao cargo, em exercer pressão sobre o presidente russo Vladimir Putin. Simultaneamente, impôs direitos aduaneiros sem passar pelo Congresso para atingir os seus objetivos económicos e de política externa.

O anúncio do acordo com a Índia surge no momento em que o seu enviado especial, Steve Witkoff, e o genro Jared Kushner deverão realizar uma nova ronda de conversações tripartidas com responsáveis russos e ucranianos em Abu Dhabi, no final desta semana, com o objetivo de encontrar um desfecho para a guerra, de acordo com um funcionário da Casa Branca que pediu anonimato para descrever a próxima reunião.

Trump afirmou que acredita que atacar as receitas petrolíferas da Rússia é a melhor forma de levar Moscovo a pôr fim à sua guerra de quase quatro anos contra a Ucrânia, uma visão que se coaduna com a sua devoção às tarifas.

A Índia emergiu como um grande comprador de petróleo russo após o início da guerra na Ucrânia, proporcionando a Moscovo um mercado de exportação crucial, uma vez que a Europa reduziu drasticamente as compras.

Em 2024, a Rússia forneceu quase 36% do total das importações de petróleo bruto da Índia, cerca de 1,8 milhões de barris de petróleo com desconto por dia.

Ainda em dezembro, durante uma visita a Nova Deli, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que estava pronto para continuar a fazer "envios ininterruptos" de combustível para a Índia, apesar da pressão dos EUA.

Ameaças tarifárias

Em junho, Trump anunciou que os Estados Unidos iriam impor uma tarifa de 25% sobre os produtos da Índia, depois de a sua administração considerar que o país tinha feito muito pouco para reduzir o seu excedente comercial com os EUA e abrir os seus mercados aos produtos americanos. Em agosto, Trump impôs taxas de importação adicionais de 25% sobre os produtos indianos, devido às suas compras de petróleo russo, o que elevou a taxa combinada para 50%.

Com o compromisso de deixar de comprar petróleo russo e a taxa mais baixa, a taxa tarifária sobre os produtos indianos poderia cair para 18%, o que é próximo da taxa de 15% cobrada sobre produtos da União Europeia e do Japão, entre outras nações.

Um funcionário da Casa Branca disse à AFP que a tarifa adicional de 25% que Trump impôs à Índia pela sua compra de petróleo russo em agosto também será abandonada.

Historicamente, a relação da Índia com a Rússia gira mais em torno da defesa do que da energia. A Rússia fornece apenas uma pequena fração do petróleo da Índia, mas a maior parte do seu equipamento militar.

Mas a Índia, no rescaldo da invasão russa, aproveitou o momento para comprar petróleo russo a preços reduzidos, o que lhe permitiu aumentar o seu aprovisionamento energético, enquanto a Rússia procurava fazer acordos para impulsionar a sua economia sitiada e continuar a pagar a sua guerra brutal.

Acordo UE-Índia

A anunciada redução dos direitos aduaneiros surge dias depois dea Índia e a União Europeia terem chegado a um acordo de comércio livreque poderá afetar cerca de 2 mil milhões de pessoas, após quase duas décadas de negociações. O acordo permitirá o comércio livre de quase todos os bens entre os 27 membros da UE e a Índia, abrangendo tudo, desde têxteis a medicamentos, e reduzirá os elevados impostos de importação sobre o vinho e os automóveis europeus.

O acordo entre dois dos maiores mercados do mundo também reflete o desejo de reduzir a dependência dos EUA, depois de os aumentos dos impostos de importação de Trump terem perturbado os fluxos comerciais estabelecidos. Embora o custo das tarifas de Trump tenha sido em grande parte suportado pelas empresas e consumidores americanos, os impostos podem reduzir os volumes de comércio entre os países.

Nos últimos meses, a Índia acelerou o processo de conclusão de vários acordos comerciais. Assinou um acordo com Omã em dezembro e concluiu as conversações para um acordo com a Nova Zelândia.

Outras fontes • AP, AFP

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