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"Estado da União": Pandemia não deve obliterar outros riscos

Macron, Merkel
Macron, Merkel Direitos de autor Euronews
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De  Isabel Marques da SilvaStefan Grobe
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Existem dois grupos com visões opostas dentro da União Europeia sobre como fazer face os riscos económicos criados pela pandemia. É um tema em destaque no programa, que conta com uma entrevista a Peter Giger, diretor de risco no Grupo de Seguros Zurich.

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A Alemanha rompeu com dois tabus que mantinha há décadas: aceitar a transferência de fundos dos países mais ricos para os mais pobres e o empréstimos de dinheiro pela União Europeia de forma mutualizada. São elementos de uma proposta franco-alemã para um fundo de recuperação económica de 500 mil milhões de euros.

A proposta mostra que, em tempos de crise existencial, maior integração europeia é a resposta apropriada. A decisão, no entanto, corre o risco de provocar uma forte reação política na Alemanha, onde os opositores populistas da chanceler Angela Merkel já estão a "afiar as garras".

O presidente francês, Emmanuel Macron, também enfrenta descontentamento político interno, tendo perdido a maioria no Parlamento depois de um grupo de deputados desertaram de seu partido centrista.

Por último, há a resistência do chamado grupo dos “quatro frugais”, os Estados-membros que defendem disciplina orçamental: Países Baixos, Suécia, Dinamarca e Áustria.

Os riscos para a economia que os políticos devem  levar em conta, para além da pandemia, foram analisados em entrevista a Peter Giger, diretor de risco no Grupo de Seguros Zurich.

Stegan Grobe/euronews: Quando a pandemia estiver mais ou menos sob controlo, quais são os maiores riscos para a Europa em termos da crise?

Peter Giger/diretor de risco: Há um risco sério de nos concentrarmos apenas nesta situação e começarmos a ignorar outros riscos que existem ou que estão a surgir. A crise em torno da Covid-19 é um bom exemplo, porque o risco de pandemia existia há muito, era efetivamente conhecido, mas de alguma forma foi esquecido e depois apanhou-nos desprevenidos.

Stegan Grobe/euronews: Os conhecidos riscos de longo prazo, tais como a crise climática ou as crescentes desigualdades sociais, foram postos nas gaveta durante a pandemia, mas continuam bem presentes. Existe o risco de os governos os tratarem agora como questões de luxo?

Peter Giger/diretor de risco: Esse é realmente um dos riscos, por causa desse foco único na luta contra a Covid-19. Todos sabemos que o planeta continua a aquecer e, quando resolvermos a atual crise, esse problema continuará a existir. Também mostra que os humanos são muito bons na resposta a ameaças imediatas e talvez não tão bons na resposta a ameaças estratégicas.

Stegan Grobe/euronews: Disse, recentemente, que existe o risco de "outra geração perdida". O que quer dizer com isso?

Peter Giger/diretor de risco: Há várias dimensões nesse risco. Uma delas é o nível de desemprego futuro. Vimos que, dez anos após a anterior crise financeira, muitos jovens continuavam a ter dificuldade em conseguir emprego, sobretudo de longo prazo, em muitos países. O segundo aspecto é que temos sistemas de pensões desatualizados em muitos países. Já era um problema que ninguém tentou resolver e vai agravar-se. É uma crise inter-geracional.

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