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UE diz que pagamentos de gás russo em rublos violam sanções europeias

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De  Pedro Sacadura  & Shona Murray
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Vice-presidente executivo da Comissão Europeia falou sobre o assunto em entrevista à Euronews
Vice-presidente executivo da Comissão Europeia falou sobre o assunto em entrevista à Euronews   -   Direitos de autor  Francois Mori/Copyright 2022 The Associated Press. All rights reserved.

Bruxelas promete avançar com ações legais se os Estados-membros contornarem as sanções contra a Rússia.

Por causa do gás russo que compram e do qual dependem, vários países do bloco estão, literalmente, entre a espada e a parede.

Moscovo exige que os países considerados "hostis" façam pagamentos em rublos à empresa estatal Gazprom.

 Ao abrigo de um novo sistema de pagamentos, instituído por decreto, estes só são considerados saldados se os euros ou os dólares pagos forem, depois, convertidos para divisa local através de uma segunda conta criada no Gazprombank e o depósito chegar à empresa fornecedora.

O problema é que o processo de conversão envolve o Banco Central Russo, alvo de sanções europeias.

"Estamos a monitorizar se os Estados-membros estão realmente a aplicar as sanções da União Europeia. E se percebermos que não é esse o caso, existe a possibilidade de a Comissão Europeia abrir procedimentos de infração a esse respeito", sublinhou, em entrevista à Euronews, Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da Comissão Europeia.

Estados-membros como a Hungria já se mostraram satisfeitos com o novo sistema de pagamentos.

De acordo com o "Financial Times", distribuidores de gás em países como a Alemanha, Áustria, Hungria e Eslováquia, contam abrir contas em rublos no Gazprombank na Suíça e ceder às exigências russas, o que aumentou as preocupações com o efeito das sanções.

Entre esses importadores encontram-se, por exemplo, a energéticaUniper, com sede em Düsseldorf, e a OMV, com sede em Viena.

A italiana Eni também poderá, eventualmente, vir a fazê-lo.

A Polónia e Bulgária recusaram-se capital aos pedidos de Moscovo e acabaram mesmo por ficar sem gás.

Bruxelas fala em "chantagem" e diz que a diversificação está em curso.

"Somos capazes de lidar com esta situação. Já estamos, há algum tempo, a trabalhar de forma intensa na diversificação do fornecimento de gás. Temos um acordo com os EUA para fornecimento adicional de Gás Natural Liquefeito. Estamos a trabalhar com a Noruega, que é o segundo maior fornecedor de gás, para aumentar os abastecimentos, a par de outros países. Está claro que não podemos ceder a esta chantagem da Rússia e que devemos diversificar para longe da Rússia. Diria que, mesmo independentemente deste desenvolvimento, decidimos, de forma estratégica, que nos afastaríamos dos combustíveis fósseis russos", acrescentou Valdis Dombrovskis.

Neste momento, está a prepara-se um sexto pacote de sanções contra a Rússia.

Desta vez o petróleo está na mira, apesar do assunto dos combustíveis fósseis gerar fortes desentendimentos entre os Estados-membros.