EventsEventosPodcasts
Loader

Find Us

PUBLICIDADE

Rússia "traiu o povo arménio" de Nagorno-Karabakh, disse Charles Michel

A Euronews conversa com o Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel
A Euronews conversa com o Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel Direitos de autor Euronews
Direitos de autor Euronews
De  Gregoire LoryMared Gwyn Jones; Isabel Marques da Silva (Trad.)
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied
Artigo publicado originalmente em inglês

O fracasso da Rússia em garantir a paz e a segurança no enclave de Nagorno-Karabakh é uma "traição" ao povo arménio, disse Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, em entrevista à Euronews

PUBLICIDADE

O presidente do Conselho Europeu condenou as forças de manutenção da paz russas, presentes no Nagorno-Karabakh desde que um acordo de paz foi mediado pelo governo de Moscovo, em 2020, por não terem agido quando o Azerbaijão lançou a sua ação militar no enclave separatista de maioria étnica arménbia.

"É claro para todos que a Rússia traiu o povo arménio", disse Michel, no âmbito de uma entrevista, segunda-feira, para o programa The Global Conversation da euronews.

"A Rússia quis ter soldados no terreno para garantir este acordo de paz e segurança. Mas vemos que a operação militar foi lançada sem a mínima reação das forças de paz russas no território. A União Europeia, por outro lado, que não tinha qualquer força ou presença militar, estava no terreno", acrescentou.

O governo azeri recuperou, recentemente, o controlo do Nagorno-Karabakh após uma ofensiva militar, que levou ao êxodo decerca de 100 mil arménios, que teme serem perseguidos, uma vez que as forças do Azerbaijão estão a apertar o cerco à região.

Segundo os peritos, as ações do governo de Baku constituem um crime de guerra e a Arménia acusou o seu vizinho de proceder a uma limpeza étnica.

O primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, também condenou a Rússia por ter ignorado os sinais da escalada do governo de Baku e por não ter protegido os arménios que residem na região isolada e montanhosa. O Kremlin respondeu, acusando Pashinyan de "sucumbir à influência ocidental".

"Extremamente desiludido" com o Azerbaijão

Michel desempenhou um papel de liderança nas recentes tentativas da UE para desanuviaroconflito de décadas, convocando ambas as partes para conversações em Bruxelas, com o governo arménio a pedir o apoio do Ocidente.

Mas o bloco tem sido alvo de críticas pelos seus esforços de mediação infrutíferos e por se ter abstido de sancionar o Azerbaijão. 

Os membros do Parlamento Europeu disseram que as tentativas de mediação de Michel foram um "fracasso total" e acusaram os líderes da UE de não terem nomeado claramente quem era o agressor, ignorando os apelos da Arménia.

Fizemos também progressos em relação aos textos que visam garantir um futuro acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão. Mas, dito isto, estou extremamente desapontado com a decisão tomada pelo Azerbaijão e expressei isso com muita firmeza ao Presidente Aliyev.
Charles Michel
Presidente do Conselho Europeu

Michel rejeitou esta crítica, dizendo à Euronews que "a mediação europeia, que foi conduzida em paralelo com outras, como a dos EUA, permitiu-nos avançar, por exemplo, com a troca de prisioneiros, e compreender melhor como melhorar a conetividade desta região para garantir uma melhor estabilidade futura".

"Fizemos também progressos em relação aos textos que visam garantir um futuro acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão", acrescentou.

"Mas, dito isto, estou extremamente desapontado com a decisão tomada pelo Azerbaijão e expressei isso com muita firmeza ao Presidente Aliyev", acrescentou.

Michel disse que a intervenção da UE foi fundamental para garantir a reabertura do corredor de Lachin - que foi bloqueado pelas forças do Azerbaijão durante meses, impedindo fornecimentos essenciais para a população arménia de Nagorno-Karabakh - e garantiu que o bloco continuaria a fornecer apoio humanitário.

"Estamos muito empenhados em apoiar a Arménia, que está a receber um elevado número de refugiados que abandonaram a sua região de origem, em Nagorno-Karabakh", explicou Michel. "Precisamos também de continuar empenhados a nível político e diplomático para garantir que há uma reafirmação muito clara do respeito pela integridade territorial da Arménia. Não vamos desistir", afirmou.

AP Photo/Vasily Krestyaninov
Êxodo de arménios já vai em 100 mil das 120 mil pessoas que viviam no enclaveAP Photo/Vasily Krestyaninov

A paz depende da "vontade de ambas as partes

Michel deverá reunir-se com os líderes dos dois países, bem como com o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, à margem de uma cimeira da Comunidade Política Europeia, na quinta-feira, em Granada, Espanha. Conversas semelhantes foram realizadas nas duas cimeiras anteriores da CPE, em outubro de 2022 e junho de 2023.

A paz, disse Michel, exigirá "uma negociação que possa estabelecer compromissos de ambos os lados", embora "haja uma grande responsabilidade do lado do Azerbaijão, que lançou esta operação militar".

"Cabe agora ao Azerbaijão dar provas de boa vontade, comprometendo-se a respeitar o direito internacional para proteger os direitos e a segurança de toda a população que vive no Azerbaijão, incluindo a população arménia", acrescentou.

É verdade que a grande maioria da população arménia abandonou a região, provavelmente com medo de ser visada pelas autoridades azeris. Uma grande parte está agora na Arménia e é por isso que a UE deve prestar ajuda humanitária.
Charles Michel
Presidente do Conselho Europeu

O presidente da Comissão Europeia evitou classificar o êxodo forçado da população do Nagorno-Karabakh como uma tentativa de limpeza étnica.

PUBLICIDADE

"É verdade que a grande maioria da população arménia abandonou a região, provavelmente com medo de ser visada pelas autoridades azeris. Uma grande parte está agora na Arménia e é por isso que a UE deve prestar ajuda humanitária", afirmou.

O Azerbaijão continua a ser "um parceiro" da UE

O presidente do Parlamento Europeu confirmou que o governo de Baku continua a ser um parceiro da UE, apesar do ataque.

"O Azerbaijão é hoje um parceiro, sim, é um parceiro. Isso significa que a relação é simples? Não, não é simples. Existem dificuldades? Sim, e essas dificuldades são reais e devem ser resolvidas", explicou.

Para Michel não houve insensibilidade quando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o país como um parceiro "fiável", em 2022, e assinado um acordo para duplicar as importações de gás azeri pela UE, até 2027, numa tentativa de eliminar as importações de combustíveis fósseis russos.

"Compreendo o argumento, mas não é correto", disse Michel, "demonstrámos a capacidade da Europa para diversificar rapidamente o abastecimento de energia após a invasão russa da Ucrânia e, por conseguinte, temos agora muitas opções em termos de abastecimento de energia", argumentou.

PUBLICIDADE

Quando questionado se a UE deveria rever esse acordo, Michel disse: "Claro. O que temos agora de analisar é a forma de normalizar as relações entre a Arménia e o Azerbaijão, para que possamos garantir de forma firme e incontestável o reconhecimento mútuo da integridade territorial de ambos os países".

"Encorajaremos um processo de normalização que possa conduzir a compromissos de ambas as partes no sentido de respeitarem as promessas que fizeram. E a prioridade absoluta é garantir que haja negociações sobre as fronteiras territoriais", explicou.

"Foi o processo de mediação europeu que garantiu o progresso a este respeito, num tratado de paz para normalizar a relação e também naquilo a que chamamos conetividade, ou seja, a possibilidade de as populações da Arménia e do Azerbaijão poderem circular na região", acrescentou.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Refugiados de Nagorno-Karabakh na Arménia enfrentam necessidades urgentes

Diáspora arménia protesta em Bruxelas contra o controlo de Nagorno-Karabakh pelo Azerbaijão

Bulgária continua sem previsão para a formação de um governo quatro dias após legislativas