Destino da UE está entrelaçado com o da Ucrânia, diz candidata liberal Valérie Hayer

Presidente da Renew Europe, Valerie Hayer
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De  Shona MurrayMared Gwyn Jones
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Artigo publicado originalmente em inglês

A cabeça de lista pelo partido Renovar a Europa às eleições europeias, Valérie Hayer, reafirmou o apoio inabalável do seu partido à Ucrânia, durante uma visita de dois dias ao país devastado pela guerra, numa altura em que a segurança está no centro da campanha para as eleições europeias de junho.

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"Temos de explicar aos cidadãos europeus que esta guerra na Ucrânia tem um enorme impacto para nós e que a segurança do povo ucraniano é a nossa segurança", disse Hayer, que lidera o grupo Renovar a Europa e é um dos três principais candidatos às eleições.

A visita surge no meio de receios de que o presidente russo, Vladimir Putin, possa vir a intensificar os ataques à Ucrânia, depois de ter tentado implicar o governo de Kiev num ataque terrorista a uma sala de concertos em Moscovo, na passada sexta-feira, em que pelo menos 143 pessoas perderam a vida.

Fontes militares ucranianas afirmam que a Rússia disparou pelo menos 26 mísseis balísticos contra Kiev na última semana, atingindo infra-estruturas civis.

Como sinal de apoio, para mostrar visibilidade e como instrumento de dissuasão contra o agressor russo, os políticos ucranianos serão convidados regularmente para o Grupo Renovar a Europa no Parlamento Europeu e para as nossas reuniões pré-cimeira com os líderes europeus.
Valérie Hayer
Cabeça de lista pelo partido Renvoar a Europa às eleições europeias

Mais armamento com urgência

Com a incerteza quanto ao futuro do apoio dos EUA após as eleições presidenciais de novembro e com as reservas de munições a esgotarem-se rapidamente, Kiev está a apoiar-se cada vez mais nos seus aliados europeus para reabastecer as suas reservas.

"O maior receio em termos de segurança é a crescente lacuna no nosso poder de fogo de artilharia", disse o vice-ministro da Defesa da Ucrânia, Yuriy Dzhygyr, à Euronews.

"Temos o apoio, sentimos o apoio, compreendemos que existem problemas técnicos com o reabastecimento dos stocks, mas sentimos a vossa solidariedade e agradecemos muito", acrescentou.

Os partidos políticos fizeram do apoio à Ucrânia - e do reforço das capacidades defensivas da Europa - uma peça central das suas plataformas eleitorais.

Um documento de posição sobre a defesa europeia revelado pelo grupo Renovar a Europa, na quarta-feira, defende o "reforço drástico" da aquisição conjunta de armas na Europa e o aumento das despesas com a defesa, tanto a nível da UE como a nível nacional.

Os reveses da Ucrânia no campo de batalha, nas últimas semanas, incutiram um sentimento de urgência entre os líderes da UE, que estão a considerar medidas sem precedentes para aumentar a ajuda militar e financeira ao seu vizinho em guerra.

O bloco poderá utilizar os lucros inesperados dos ativos russos imobilizados na UE para comprar mais armas, e está mesmo a iniciar um diálogo difícil sobre a perspetiva controversa de aumentar a dívida conjunta da UE para financiar as necessidades de defesa.

Falando a partir da Ucrânia, Hayer disse que é altura de dar um "salto em frente na defesa europeia".

"Uma verdadeira União Europeia da Defesa poupará dinheiro ao acabar com a duplicação e o desperdício, mas para isso temos de investir agora e investir na base industrial de defesa da Europa", afirmou.

De acordo com uma sondagem exclusiva realizada pela Ipsos, o grupo Renovar a Europa deverá manter a sua posição como a terceira maior fação do Parlamento Europeu.

Hayer é um dos principais candidatos e encabeça a lista do partido Renascimento, do presidente francês, Emmanuel Macron.

As projeções mais recentes da nossa sondagem prevêm que o Renovar a Europa obtenha 87 lugares, um pouco mais do que o grupo de extrema-direita Identidade e Democracia (ID), que deverá ficar em quarto lugar, com 80 lugares.

O salto de 31 lugares previsto para o ID, face aos atuais assentos, é impulsionado pelo sucesso do partido Reagrupamento Nacional, em França, e do seu candidato principal, Jordan Bardella, de 28 anos, que irá competir com Hayer pelo voto dos franceses e que rompeu com os laços historicamente estreitos do seu partido com a Rússia, adotando uma linha dura em relação a Moscovo.

Impulso para a candidatura de Kiev à UE

Hayer também prometeu fazer avançar a Ucrânia no seu caminho para a adesão à UE, propondo o estatuto de observador para os legisladores ucranianos no Parlamento Europeu "o mais rapidamente possível".

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O processo de adesão ao bloco é notoriamente longo e, apesar de os líderes da UE terem dado luz verde à abertura de conversações formais com a Ucrânia, em dezembro passado, o caminho para uma adesão plena à UE é longo.

Este facto levou o bloco a propor formas de integração gradual, incluindo a reunião de políticos dos países candidatos à volta da mesa de decisões antes de o processo de adesão estar concluído.

"Queremos que os políticos ucranianos participem no Parlamento Europeu como observadores o mais rapidamente possível, mas não temos de esperar que nos seja concedido um estatuto oficial de observador para começarmos a trabalhar em conjunto", disse Hayer.

"Como sinal de apoio, para mostrar visibilidade e como instrumento de dissuasão contra o agressor russo, os políticos ucranianos serão convidados regularmente para o Grupo Renovar a Europa no Parlamento Europeu e para as nossas reuniões pré-cimeira com os líderes europeus", acrescentou.

Estas cimeiras reúnem chefes de Estado e de governo centristas da UE, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra estónia, Kaja Kallas.

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O partido ucraniano Servo do Povo, ao qual pertence o presidente Volodymyr Zelenskyy, tornou-se membro da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE) - uma das três facções políticas que formam o grupo Renovar a Europa - pouco depois da invasão da Ucrânia pela Rússia.

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