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UE tenta controlar repercussões do conflito entre Israel e Irão

Pessoas participam numa manifestação de solidariedade com Israel em Berlim, domingo, 14 de abril de 2024, na sequência dos ataques iranianos a Israel durante a noite.
Pessoas participam numa manifestação de solidariedade com Israel em Berlim, domingo, 14 de abril de 2024, na sequência dos ataques iranianos a Israel durante a noite. Direitos de autor Markus Schreiber/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Markus Schreiber/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
De  Mared Gwyn JonesMaria Psara
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Artigo publicado originalmente em inglês

Enquanto Israel pondera as suas opções para uma potencial resposta ao ataque aéreo do Irão, no sábado, os seus aliados europeus apelam à contenção para evitar que o conflito se alastre a nível regional.

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O ataque do governo de Teerão com cerca de 300 drones, mísseis balísticos e de cruzeiro contra Israel (entre Estados e não por via de organizações afiliadas), suscitou a condenação dos líderes europeus, que se colocaram firmemente ao lado de Israel.

Mas enquanto o gabinete de guerra do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pondera uma resposta direta, a União Europeia  (UE) esforça-se por controlar uma potencial retaliação israelita e evitar uma escalada ainda maior.

Uma declaração conjunta emitida em nome dos Estados-membros do bloco pelo seu chefe da diplomacia, Josep Borrell, reiterou o "compromisso do bloco com a segurança de Israel", mas apela a "todas as partes para exercerem a máxima contenção".

O ataque do Irão foi uma resposta ao ataque aéreo de Israel contra o seu consulado em Damasco (capital da Síria), a 1 de abril, que causou a morte de sete membros da Guarda Revolucionária do Irão, incluindo dois comandantes.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que deverá encontrar-se com Borrell, em Paris, esta segunda-feira, disse à BFM TV que "precisamos de estar ao lado de Israel para garantir a sua proteção ao máximo, mas também para pedir um limite para evitar uma escalada".

Os 27 ministros dos Negócios Estrangeiros da UE vão realizar uma reunião extraordinária do Conselho, por videoconferência, na terça-feira, para discutir a resposta coletiva à escalada, vista como um ponto de inflexão no conflito no Médio Oriente.

O bloco poderá impor sanções adicionais ao governo do Irão, numa tentativa de pressionar ainda mais o regime a abster-se de uma nova escalada.

Mas encontra-se, mais uma vez, numa linha ténue entre, por um lado, reiterar o seu apoio a Israel e, por outro, exortar o governo de Netanyahu a agir dentro dos limites do direito internacional.

As nuances europeias

As diferenças de nuances na posição da Europa sobre a questão também estão a vir ao de cima.

A ministra alemã dos Negócios Estrangeiros, Annalena Baerbock, acusou o Irão de "conduzir a região para a beira do abismo", numa declaração esta segunda-feira, e afirmou que Israel tinha agido "defensivamente" para se defender do ataque, que foi quase totalmente intercetado pelas defesas israelitas e aliadas.

Baerbock, cujo governo se encontra entre os mais firmes aliados de Israel, colocou diretamente sobre o Irão o ónus de evitar uma nova escalada.

"Esta escalada mostrou que a região está ao lado de Israel quando se trata de conter o comportamento do Irão", acrescentou.

Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, David Cameron, cujas forças participaram na interceção do ataque iraniano, juntamente com os EUA e a França, pareceu reconhecer o direito do Irão a uma resposta ao ataque ao seu consulado, numa entrevista à Sky News, na sexta-feira.

Contenção israelita?

"Os países têm o direito de responder quando sentem que sofreram uma agressão, claro que têm", disse Cameron, mas condenou a dimensão da resposta iraniana, afirmando que poderia ter havido "milhares" de vítimas.

Os apelos à contenção ecoam a linha adoptada pela Casa Branca, já que, de acordo com as autoridades norte-americanas, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse a Israel que a interceção dos mísseis pode ser considerada uma vitória e que uma resposta direta pode não ser necessária.

Os analistas concordam que a segurança da região depende da reação de Israel.

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"A trajetória da situação depende agora de Israel sentir ou não a necessidade de retaliar, incluindo através de potenciais ataques diretos contra o Irão", explicou Julien Barnes-Dacey, do Centro Europeu de Relações Externas.

"Embora possa haver um sentimento de confiança em Israel, seria um erro imaginar que o Irão não irá desencadear uma resposta muito mais impactante a ataques no seu próprio território, que verá em termos existenciais", acrescentou.

Em declarações à Euronews, Sven Biscop, do Instituto Egmont, sugeriu que os países da UE deveriam também utilizar os instrumentos diplomáticos e económicos à sua disposição para pressionar Israel a não tentar retaliar.

"A UE tem potencialmente uma grande influência sobre Israel, uma grande influência económica", disse Biscop, "mas é claro que, enquanto alguns Estados-membros continuarem a apoiar Israel mais ou menos incondicionalmente, a UE é impotente para usar esse instrumento de pressão económica".

Os pedidos para que a UE suspenda os seus laços comerciais com Israel, para o pressionar a conter a sua guerra em Gaza, não conseguiram até agora reunir o apoio unânime dos Estados-membros.

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Ministros dos Negócios Estrangeiros devatem resposta

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deverão discutir a sua resposta ao ataque na terça-feira, incluindo potenciais sanções contra o regime iraniano.

O regime iraniano já está a ser alvo de várias sanções em resposta à proliferação de armas de destruição maciça e às persistentes violações dos direitos humanos, incluindo a morte de Mahsa Amini pelas mãos da polícia moral do regime, em 2022.

Questionado na segunda-feira se o bloco poderia decidir aplicar novas sanções em resposta ao ataque contra Israel, o porta-voz da política externa da UE disse: "Quaisquer outras sanções (...) é um processo que está nas mãos dos Estados-membros".

"Não anunciamos previamente, não antecipamos esse processo porque é confidencial", acrescentou.

O porta-voz também rejeitou com firmeza as alegações de "dois pesos e duas medidas" na posição da UE sobre o conflito, salientando que a UE também condenou o ataque de Israel ao consulado iraniano em Damasco, no início de abril.

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"Emitimos uma declaração sobre o ataque israelita ao consulado iraniano em Damasco, condenando claramente este ataque e condenando-o porque o considerámos um risco potencial de escalada e uma violação das premissas diplomáticas", afirmou o porta-voz.

"Não há dois pesos e duas medidas. Condenamos as coisas à medida que acontecem, se violam o direito internacional", disse.

O Irão convocou os embaixadores britânico, francês e alemão por causa do que diz ser a "duplicidade de critérios" destes governos na condenação do ataque de sábado, ao mesmo tempo que rejeitaram uma resolução do Conselho de Segurança da ONU apresentada pela Rússia, condenando o ataque de Israel às instalações diplomáticas do Irão, em Damasco.

A Alemanha e a Chéquia convocaram os seus embaixadores iranianos na sequência do ataque de Teerão.

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