Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Ameaças de Trump à Gronelândia colocam em risco acordo comercial entre UE e EUA, diz eurodeputado

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fecharam um acordo comercial em julho de 2024.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fecharam um acordo comercial em julho de 2024. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Vincenzo Genovese & Peggy Corlin
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

O responsável do Parlamento Europeu pelo Comércio disse à Euronews que o objetivo declarado dos EUA de comprar ou anexar o território dinamarquês está a alterar a avaliação do acordo comercial entre a UE e os EUA, com alguns eurodeputados a sugerirem que este deve ser congelado.

As ameaças renovadas dos Estados Unidos de se apoderar da Gronelândia alteraram as condições para a aprovação de um acordo comercial crucial entre a UE e os Estados Unidos, afirmou um eurodeputado sénior à Euronews na quinta-feira.

Bern Lange (Alemanha/S&D), que preside à Comissão do Comércio do Parlamento Europeu, fez as suas observações numa altura em que os eurodeputados analisam o acordo alcançado, no verão passado, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Se for implementado, o acordo comercial levaria a UE a reduzir as suas tarifas sobre os produtos norte-americanos para 0%, enquanto as exportações da UE enfrentariam tarifas de 15% nos EUA.

Mas as tensões geopolíticas entre Washington e a Europa intensificaram-se na sequência do ataque dos EUA a Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Nos dias que se seguiram, funcionários da administração Trump reiteraram as suas intenções de comprar ou anexar o território dinamarquês, colocando as concessões comerciais propostas pela UE aos EUA numa nova perspetiva.

"Toda a situação mudou", disse Lange à Euronews. "Faremos uma avaliação e debateremos o assunto na minha comissão parlamentar no final de janeiro."

Possibilidade de congelar o acordo

Em fevereiro, os eurodeputados deverão votar a legislação que suspende as tarifas da UE, mas o futuro do acordo — que muitos deputados europeus já consideram desequilibrado — está agora em causa.

O eurodeputado dinamarquês Per Clausen (A Esquerda) está a fazer circular uma carta, vista pela Euronews, que insta a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e os líderes dos grupos políticos a "congelarem" o acordo "enquanto a administração dos EUA continuar a fazer reivindicações sobre a Gronelândia e ameaças".

"Será simplesmente grotesco se a UE decidir recompensar as ameaças de Trump e o desrespeito pelo direito internacional, aprovando um acordo comercial que beneficia os EUA e Trump", referiu Clausen à Euronews.

"Se o fizermos, a UE vai simplesmente falhar enquanto interveniente sério. Pior ainda, o campo [político] de Trump verá isso como um sinal de fraqueza, o que o encorajará ainda mais."

Dezenas de eurodeputados de todos os grupos políticos e nacionalidades assinaram a carta desde ontem, e espera-se que esta seja enviada no início da próxima semana, soube a Euronews.

A Gronelândia não é o único ponto de tensão nas relações entre a UE e os EUA. Os EUA continuam a impor direitos aduaneiros de 50% sobre as importações de aço e alumínio da maioria dos países e parceiros comerciais e, após o acordo com a UE, alargaram-nos a mais de 400 produtos que contêm esses metais.

"Isto não é aceitável", afirmou Lange. "A não ser que os EUA alterem a sua posição, trata-se de uma violação do acordo e não aceitarei tarifas de 0% para os EUA."

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Rubio vai encontrar-se com responsáveis dinamarqueses para discutir interesse na Gronelândia

Uma folga para sofás e esparguete: Trump alivia e adia tarifas

Da Venezuela à Gronelândia, a UE esforça-se por encontrar uma voz e um plano