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Progressos na luta contra a corrupção na UE estão a estagnar. Portugal desceu no ranking

Pessoas participam num protesto público contra as medidas de consolidação anunciadas pelo Governo para o próximo ano, em Bratislava, Eslováquia, na terça-feira, 16 de dezembro de 2025.
Pessoas participam num protesto público contra as medidas de consolidação anunciadas pelo Governo para o próximo ano, em Bratislava, Eslováquia, na terça-feira, 16 de dezembro de 2025. Direitos de autor  Tlačová agentúra SR
Direitos de autor Tlačová agentúra SR
De Amandine Hess
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A UE continua a ser a região menos corrupta, mas estagnou nas reformas, com a Hungria e a Bulgária em pior situação.

A União Europeia continua a ser a região menos corrupta do mundo, mas os esforços de luta contra a corrupção estagnaram na última década, de acordo com o Índice de Perceção da Corrupção 2025 da Transparência Internacional, publicado na terça-feira.

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A média global caiu para um novo mínimo de 42, enquanto a média regional da UE situa-se nos 62 em 100.

Desde 2012, 13 países da Europa Ocidental e da UE registaram uma descida significativa e apenas sete melhoraram significativamente.

A Hungria obteve 40 pontos no índice, empatando com a Bulgária como o Estado-Membro da UE com pior desempenho. A Roménia obteve 45 pontos.

A erosão dos controlos e equilíbrios na Hungria cria "um caldeirão de riscos de corrupção", disse Flora Cresswell, conselheira regional para a Europa da Transparência Internacional, à Euronews.

"Com a falta de liberdade dos meios de comunicação social, com a independência do poder judicial a ser minada, com o sistema de Estado de direito a ser minado no país, com o facto de haver também um risco acrescido de corrupção na despesa pública... Infelizmente, isto significa que todo o quadro de responsabilização no país diminuiu", explicou Cresswell

A Dinamarca obteve 89 pontos, a Finlândia 88 e a Suécia 80, o que faz deles os países da UE com melhor desempenho no índice.

Índice de Perceção da Corrupção 2025 na UE, Transparência Internacional.
Índice de Perceção da Corrupção 2025 na UE, Transparência Internacional. Euronews

"A tirar os olhos da bola"

A Transparência Internacional observou tendências de retrocesso na Eslováquia, que obteve 48 pontos.

"No último ano, na Eslováquia, houve campanhas no seio do governo contra a agência independente de denúncia de irregularidades, o que teve um impacto na capacidade de investigar e processar a corrupção no país", afirmou Cresswell.

França obteve 66 pontos e a Suécia 78, tendo ambas registado quedas devido a desafios na aplicação de sanções e a escândalos de integridade. Os Países Baixos obtiveram 78 pontos, registando igualmente um declínio.

"Outra tendência é que estes países estão simplesmente a desviar os olhos da bola quando se trata de modernizar o seu quadro anticorrupção", afirmou Cresswell.

"Os Países Baixos e a Suécia podem ser colocados nessa categoria, pois não têm padrões fortes no que diz respeito à transparência dos lóbis ou das finanças políticas".

As pontuações dos países bálticos aumentaram à medida que implementaram estratégias anticorrupção eficazes e melhoraram a transparência dos dados sobre lobbying e propriedade efectiva, disse Cresswell.

Portugal obteve 56 pontos, posicionando‑se na 46.ª posição entre 182 países, perdendo 1 ponto em relação a 2024 e consequentemente uma perda de 3 lugares no ranking global.

Segundo o relatório, a descida registada em 2025 resulta sobretudo dos desafios no reforço das salvaguardas de integridadeno exercício de funções públicas. Em comparação com outros Estados‑Membros, Portugal continua a posicionar‑se abaixo da média da União Europeia em relação à transparência, confiança institucional e qualidade da administração pública.

Diretiva anti-corrupção

Em dezembro de 2025, a UE acordou a sua primeira Diretiva Anticorrupção para harmonizar as leis penais sobre corrupção.

O acordo provisório entre o Conselho e o Parlamento Europeu estabeleceu definições e sanções à escala da UE para os crimes de corrupção.

O acordo prevê a publicação anual de dados sobre a corrupção a nível da UE e exige que os Estados-Membros adotem e publiquem estratégias nacionais de luta contra a corrupção.

O texto é "pouco ambicioso", uma vez que elementos como a transparência dos lóbis, as regras de conflito de interesses e o reforço da transparência na regulamentação do financiamento político não são obrigatórios.

O texto deverá ser adotado em março e os Estados-Membros terão dois anos para transpor a diretiva.

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