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Rússia considera Europa uma ameaça à paz, mas diz estar pronta para dialogar

Ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, e conselheiro presidencial para a política externa, Yuri Ushakov, 17 de junho de 2026
Ministro russo dos Negócios Estrangeiros Sergey Lavrov e assessor presidencial para a política externa Yuri Ushakov, 17 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Sasha Vakulina
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Moscovo afirma que os EUA já não procuram ser um "mediador objetivo" nas tentativas de pôr termo à guerra total da Rússia contra a Ucrânia

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia afirmou esta terça-feira que a Europa “se está a tornar uma grande ameaça à paz e segurança internacionais” ao fornecer apoio militar à Ucrânia, e alegou que os Estados Unidos já não procuram desempenhar o papel de “mediador objetivo” para pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia.

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“Quanto aos Estados Unidos, a julgar pelas suas ações, parecem estar a abandonar qualquer pretensão ao papel de mediador objetivo e, em vez disso, a seguir uma linha de intensificação da pressão de sanções sobre a Rússia”, afirmou Serguei Lavrov perante representantes estrangeiros em Moscovo.

O assessor do presidente russo, Vladimir Putin, Yuri Ushakov, declarou também que a Rússia está alegadamente pronta para um diálogo com a União Europeia, reiterando a narrativa do Kremlin de que é a Europa, e não Moscovo, que está a prolongar a guerra na Ucrânia.

As conversações lideradas pelos Estados Unidos para pôr termo à invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia permanecem, na prática, congeladas, com a atenção do presidente Donald Trump desviada para o Médio Oriente.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, teve de defender, na semana passada, a decisão inesperada de abrir um canal diplomático com o Kremlin para avaliar se existem condições para negociações de paz, hipótese que a sua equipa concluiu não ser por agora viável.

Entende-se, embora o gabinete de Costa não o tenha confirmado, que Ushakov foi o responsável russo em causa.

O assessor de Putin não comentou qualquer eventual contacto com a equipa de Costa esta terça-feira, mas apressou-se a acusar Bruxelas de tentar “minar os acordos de Anchorage”, numa referência à cimeira no Alasca entre Trump e Putin, em agosto do ano passado.

Esse encontro terminou sem qualquer compromisso quanto a um cessar-fogo na Ucrânia, mas Moscovo afirma que Washington aceitou a chamada “fórmula de Anchorage” – um conjunto pouco definido de “entendimentos” sobre o congelamento da linha da frente e a limitação do apoio militar ocidental a Kiev, que responsáveis norte-americanos nunca reconheceram.

Uma das principais condições prévias de Moscovo para negociações de paz é que a Ucrânia retire as suas forças da região oriental de Donbas, uma área que a Rússia tenta ocupar desde 2014.

O exército de Kiev continua a controlar partes desse território e exclui entregá-lo.

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