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União Europeia enfrenta Big Tech e aprova novo pacote de sanções

Funcionários da Google exibem cartazes durante um protesto em frente à sede da empresa em Londres, em 4 de abril de 2023.
Trabalhadores da Google exibem cartazes durante um protesto em frente à sede da empresa em Londres, em 4 de abril de 2023. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Angela Skujins
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Na newsletter de hoje: está iminente uma possível multa para uma empresa de tecnologia norte-americana que violou as regras digitias do bloco, e o 21.º pacote de sanções da UE é finalmente aprovado, apesar das críticas de um chefe de Estado dos países bálticos, em comentários exclusivos à Euronews.

Bom dia. Angela Skujins assina o despacho desta quinta-feira, com algumas notícias quentes.

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Acabámos de saber que, após longas negociações, os embaixadores da UE aprovaram, no início da manhã de quinta-feira, o 21.º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia.

Quem resistia até agora? Como relata o meu colega Jorge Liboreiro, a poderosa nação marítima que é a Grécia mantinha até agora o seu veto devido a questões relacionadas com a proibição do gás natural liquefeito (GNL) russo e do seu transporte. Esperamos hoje mais detalhes do Jorge sobre os bastidores de como este acordo acabou por ser fechado.

Mas, antes disso, o líder letão Andris Kulbergs disse, em declarações exclusivas ao programa de informação matinal de referência da Euronews, Europe Today, que os políticos europeus devem colocar-se duas grandes perguntas durante o debate. Querem que a Ucrânia vença ou “querem ganhar dinheiro?”

“Há uma escolha. Não dá para as duas coisas. Por isso, as sanções têm de ser aplicadas”, afirmou. Veja.

De volta às grandes tecnológicas. Como relata o colega Luca Bertuzzi, a eventual multa da Comissão Europeia à Google, que se diz poder ser anunciada hoje, resulta de uma investigação de dois anos à forma como a empresa promove os seus próprios serviços nos resultados de pesquisa e impede os programadores de aplicações de encaminharem os utilizadores para ofertas fora da sua loja de apps e do seu sistema de pagamentos.

Porquê hoje? O jornal financeiro alemão Handelsblatt falou com dois altos responsáveis da UE, que apontaram a quinta-feira no calendário por suceder a uma reunião presidida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, onde a multa deverá ser oficialmente validada.

Pagar a fatura. As coimas por violação da Lei dos Mercados Digitais (DMA) podem chegar aos 10% do volume de negócios anual mundial de uma empresa. Com a Alphabet, empresa-mãe da Google, a registar um volume de negócios anual recorde de 402,8 mil milhões de dólares (353,08 mil milhões de euros) em 2025, a sanção máxima que a Comissão Europeia pode teoricamente impor ascende a dezenas de milhares de milhões de dólares.

Mas a Google não é a única parte potencialmente penalizada. Se a multa ao abrigo da DMA para a empresa norte-americana se concretizar, a UE arrisca-se a atrair a ira do presidente dos EUA, Donald Trump.

Represálias americanas? Washington acusou anteriormente Bruxelas de visar injustamente empresas norte-americanas através das suas políticas digitais. Em janeiro, por exemplo, o líder republicano ameaçou impor tarifas de 100% a qualquer país europeu que aplicasse um imposto sobre serviços digitais às empresas dos EUA.

Neste momento, Bruxelas tenta manter o equilíbrio numa corda bamba de relações transatlânticas tensas. Para além da batalha em torno das grandes tecnológicas, o governo norte-americano prepara novos direitos de importação sobre o bloco, dado que os atuais expiram esta semana.

Segundo Peggy Corlin, espera-se que o executivo comunitário acabe por ceder a estas novas tarifas de importação depois de expirar o regime atual, mas muitos receiam que possam seguir-se novas represálias na sequência do litígio sobre a DMA.

Putin “tóxico”. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou na sua mensagem noturna que os avanços na linha da frente e os ataques de médio alcance do seu país estão a criar uma atmosfera “tóxica” em torno do presidente russo, Vladimir Putin. Mas será que este mau cheiro chega de Moscovo a Manila?

A agência noticiosa estatal russa TASS confirma que o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, se vai reunir com o seu homólogo norte-americano, Marco Rubio, à margem da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), na capital filipina. O encontro está agendado para a manhã de 23 de julho.

Em Manila, Rubio afirmou que os Estados Unidos continuam disponíveis para desempenhar um papel na resolução do conflito, “se surgir essa oportunidade”. Admitiu, no entanto, que os esforços “abrandaram um pouco nos últimos meses”.

A atenção de Washington tem-se deslocado cada vez mais para o Médio Oriente, à medida que evolui o conflito com o Irão, em particular depois de, durante a noite, ter sido anunciado que os EUA concluíram um acordo nuclear histórico com a Arábia Saudita.

O quadro acordado permitirá ao país, no futuro, produzir urânio enriquecido, um elemento-chave para o combustível nuclear, mas também para bombas nucleares.

Lutar pela paz. Kaja Kallas aproveitou a sua intervenção no fórum da ASEAN em Manila para reiterar aos parceiros e observadores o apelo a que “se juntem às vozes” que exigem que a Rússia ponha fim à sua invasão em grande escala da Ucrânia. A sua equipa confirmou ontem à Euronews que não tinha prevista qualquer reunião com o próprio Lavrov.

Mais algumas notícias: duro revés para os defensores de um aperto na política migratória**.** A Comissão Europeia recusou na quinta-feira registar uma controversa Iniciativa de Cidadania Europeia, promovida por ativistas de extrema-direita, por considerar que implica “discriminação com base na raça e na origem étnica”.

O documento pede à Comissão que suspenda temporariamente todos os “canais de imigração não ocidentais”, incluindo vistos de estudo e de reagrupamento familiar. Além disso, prevê que os migrantes irregulares e regulares que não se tenham integrado na sociedade europeia sejam rapidamente devolvidos ao país de origem, refere o texto.

Estados Unidos: UE prepara-se para aceitar novas tarifas após fim do regime atual

A União Europeia prepara-se para aceitar as novas tarifas que os Estados Unidos deverão impor nos próximos dias devido ao trabalho forçado, desde que não ultrapassem o limite de 15% acordadono âmbito do acordo de Turnberry, indicou a Comissão Europeia.

Como relata Peggy Corlin, a Casa Branca anunciou, no início de junho, que imporia novas tarifas aos seus parceiros comerciais globais, argumentando que os esforços insuficientes para travar o comércio de bens produzidos com recurso a trabalho forçado prejudicam os interesses comerciais dos EUA.

O atual regime de tarifas norte-americano expira na sexta-feira e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou na terça-feira que a aplicação das tarifas relacionadas com o trabalho forçado era iminente.

Os responsáveis europeus acompanham de perto o nível das novas tarifas, dado que um acordo comercial UE-EUA assinado em julho de 2025, em Turnberry, na Escócia, pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, limita os direitos aduaneiros dos EUA sobre produtos da UE a 15%.

Leia a análise completa da Peggy para perceber o que está em causa.

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Também estamos a acompanhar

  • ​A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, prossegue a sua viagem a Manila para a cimeira da ASEAN, onde se vai reunir com Gilbert Teodoro, secretário da Defesa Nacional das Filipinas, bem como com outros dirigentes.
  • O Banco Central Europeu (BCE) realiza a reunião do Conselho do BCE em Frankfurt, com a presidente Christine Lagarde a dar uma conferência de imprensa às 14h45.
  • O comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, profere um discurso na EU Defence Night, em Washington, nos EUA.

Por hoje é tudo. Luca Bertuzzi, Vincenzo Genovese e Jorge Liboreiro contribuíram para esta newsletter.

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