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Governo francês revê plano de ataque aos problemas mas recusa austeridade

Governo francês revê plano de ataque aos problemas mas recusa austeridade
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O presidente francês, François Hollande, foi obrigado a rever, hoje, em conselho de ministros, várias promessas de campanha, fornecendo um prato cheio de razões para as críticas da oposição. Mas, antes, tratou do dossiê da Síria.

Na segunda-feira, recebeu o novo mediador internacional e e reuniu com o principal grupo da oposição síria. Encontros que foram principalmente simbólicos. O presidente francês continua a defender uma solução política para a crise que passe pela demissão de Bashar Al Assad.

Mas a crise do euro também está na agenda: esta semana, François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel vão fazer o balanço da situação. A seguir, os presidentes francês e grego vão debater a situação económica da Grécia.

A nível interno, a aprovação do orçamento para 2013 é o assunto mais escaldante da atualidade do país e que preocupa mais os franceses.

O desemprego está a aumentar e o crescimento foi nulo. É preciso encontrar 33 mil milhões de euros para recolocar o défice em 3% (está em 4,5%)

O decreto que prevê a diminuição de 30% dos salários do presidente da república e dos ministros está a ser discutido.

Elie Cohen, economista:

“A situação está muito difícil. Os impostos aumentam, mas o poder de compra dos franceses já foi muito afetado. E a despesa pública tem de diminuir por causa do estado da economia”.

O governo socialista anuncia uma diminuição das taxas sobre os combustíveis, mas vai ser modesta e provisória por causa do difícil contexto económico.

Para fazer o ponto da situação, a euronews entrevistou Najat Vallau-Belkacem Em vez de duplicar o teto dos depósitos da caderneta de poupança preferida dos franceses, o governo francês vai fazer um aumento imediato de 25%, elevando o limite de 15.300 euros para cerca de 19 mil, com o objetivo de financiar a construção de habitações sociais. O inverso, também, do que prometeu Hollande.

A polémica situação dos cerca de 20 mil ciganos romenos e búlgaros que vivem em França também é discutida. O governo deve anunciar medidas para facilitar o acesso dos ciganos ao mercado de trabalho, ams o patrionato vai ter de pagar uma taxa de 700 euros para os contratar, o que é considerado uma discriminação.

Gianni Magi, euronews – Nas últimas semanas, as críticas sobre os primeiros 100 dias de governo multiplicaram-se, não apenas as da oposição mas também de alguns analistas e dos partidos que se encontram à esquerda do governo. Que balanço faz destes primeiros meses de trabalho?

Najat Vallaud-Belkacem – Não parámos de trabalhar. Através de decretos, respondemos às urgências do poder de compra dos franceses, aumentámos o salário mínimo e os subsídios para o regresso às aulas, respeitámos o compromisso de oferecer a possibilidade de reforma às pessoas com mais tempo de trabalho…principalmente respeitamos o compromisso de governar de um modo diferente, o que é muito importante. É essencial para a mudança pretendida.

euronews – A partir desta semana terão de tratar de assuntos muito difíceis. Quais são as prioridades do governo?

NVB – Acabamos de fazer um conselho de ministros em que revimos todos os textos que pensamos adotar. É um conjunto de reformas muito importantes. Vai haver uma reunião extraordinária do Parlamento, na segunda quinzena de setembro, para discutir dois assuntos importantes para os franceses: o emprego e a habitação. Vamos criar 150 mil postos de trabalho para os jovens. Depois destes dois textos, vamos aprovar outro sobre a regulação dos preços da energia, pois um dos grandes problemas dos franceses é a fatura do gás e da eletricidade. No outono iniciaremos uma verdadeira reforma estrutural do ensino.

euronews – Com o orçamento de 2013, os franceses devem esperar verdadeiras medidas de austeridade como em Itália ou em Espanha?

NVB – Nós não queremos austeridade, e não se trata de um problema de semântica mas de um problema de política. Consideramos que, se queremos retomar o caminho do crescimento, antes de mais, devemos reforçar o poder de compra dos franceses e não reduzi-lo. Temos de trabalhar, por exemplo na questão do emprego, o Estado tem de ajudar, tem de investir em determinados setores que possam criar postos de trabalho. A austeridade é contrária a tudo isto, é como dizer: “temos de deixar de respirar, há que cortar, cortar, cortar…” Se, tivermos de cortar, cortamos, mas não acontece nada. Com a austeridade deixa de haver possibilidade de recuperação, é como morrer com uma boa situação económica, mas morrer. E temos a intenção viver.

euronews – Uma das críticas contra o governo é a da resposta à segurança ser apenas policial e não haver demarcação do governo precedente…

NVB – Temos um discurso muito claro: vamos lutar com firmeza contra a delinquência. Mas, em paralelo, também temos de oferecer perspetivas às comunidades. Trazemos outras respostas, para além da segurança, como a de Francois Lamy, o vice-ministro do Urbanismo, hoje, no Conselho de Ministros. Um programa centrado no emprego e na construção de mais habitações de cariz social. E há que inventar outras formas de colaborar para que os cidadãos vivam em bairros tranquilos e ao mesmo tempo com perpetivas de futuro.

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