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" Bento XVI - Um Papa moderno"

" Bento XVI - Um Papa moderno"
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Manuela Scarpellini, euronews:
Falamos agora com a especialista do Vaticano, Angela Ambrogetti, que está em Roma. Angela publicou muitos artigos sobre a Santa Sé e sobre o Papa. Pedimos-lhe um comentário sobre a resignação de Bento XVI.

Angela Ambrogetti:
A notícia, naturalmente, surpreendeu toda a gente ainda que houvesse sinais, nos últimos meses, de uma organização por parte do Papa para o fim do seu mandato. Mas todos pensámos que era um pontífice idoso a preparar-se para o momento da resignação. Em vez disso, Bento XVI mostrou que é muito mais moderno do que pensámos e supreendeu-nos a todos com esta resignação.

Manuela Scarpellini, Euronews:
Mas o que é que surpreende? A resignação ou o momento em que foi anunciada?

Angela Ambrogetti:
A resignação, porque, se pensarmos, o único pontífice que resignou, na História, foi Celestino V e estamos a falar de há 500 anos. É claro que é uma surpresa. O momento nem por isso, no sentido em que Bento XVI, aos 86 anos, é um idoso, que sente que já não está capaz de desempenhar da melhor forma a função de guia para o Igreja Universal e decidiu resignar, de acordo com o Direito Canónico.

Manuela Scarpellini, Euronews:
O Papa referiu problemas físicos e também espirituais. Mas toda a gente quer saber se a razão é essa ou se há outras razões mais profundas…

Angela Ambrogetti:
Ele sempre disse: “Não deixarei a Igreja em dificuldades, mas se não me sentir capaz de ser o guia para Igreja, resignarei”. A sua posição sempre foi clara. Neste momento já não se sente capaz fisicamente para prosseguir. Desde há alguns anos que o vemos utilizar a plataforma para se deslocar na igreja de São Pedro e noutras circunstâncias também. Por razões espirituais e físicas, é claro que a idade trouxe alguns problemas de clareza de espírito mesmo numa mente lúcida como a do Papa.

Manuela Scarpellini:
Qual é o peso que têm nesta decisão os escândalos da Igreja, por exemplo, pedofilia e outros segredos dos documentos não revelados?

Angela Ambrogetti:
Nenhum, penso eu. O Papa queria fazer exatamente o contrário. Ele queria resolver estes problemas. Para os abusos sexuais, por exemplo, neste momento, a Conferência Episcopal está por todo o mundo a implementar orientações para resolver o problema. O mesmo para o caso do Vatileaks. Há mesmo quem pense que o Papa já queria ter resignado há algum tempo, mas queria terminar este caso do Vatileaks, para pôr tudo em ordem antes de partir”.

Manuela Scarpellini, Euronews:
Quem poderá ser, na sua opinião, o próximo Papa, depois de Bento XVI? E porquê?

Angela Ambrogetti:
Provavelmente outro europeu, mas isto é tudo novo, mesmo para nós, que estamos acostumados a seguir o Vaticano há 25 anos, como é o meu caso. Tudo é surpreendente e original e precisamos de ter cuidado com a interpretação dos factos e ver o que acontece daqui até ao dia 28 de fevereiro ou primeiros dias de março.