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Badie: "o Daesh e a Al Qaeda são empresários da violência"

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Quatro dias depois dos atentados em Paris, todos concordam que é preciso apostar na coordenação dos serviços de inteligência. A eficiência dos

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Quatro dias depois dos atentados em Paris, todos concordam que é preciso apostar na coordenação dos serviços de inteligência. A eficiência dos operacionais franceses está a ser questionada, mas ministro do Interior
rejeita qualquer falha e realça que “o risco zero não existe.”

“Este atentado foi preparado por células que se encontram fora do território nacional e por indivíduos que não eram conhecidos dos nossos serviços” afirma Bernard Cazeneuve.

A investigação em curso desde sexta-feira mostra o contrário, ou seja, que alguns dos atacantes estavam referenciados. É o caso de Samy Amimour identificado pelos investigadores como um dos terroristas suicidas. Indiciado em outubro de 2012 por ligações a grupos terroristas foi colocado sob supervisão judicial. Passou pela Síria em 2013 e regressou depois a França.

Do grupo faz parte um outro francês, Omar Ismaïl Mostefaï. O jovem com cadastro fazia parte da lista de suspeitos das autoridades com ligações aos radicais do Estado Islâmico.

Amedi Coulibaly et Cherif Kouachi autores dos ataques em janeiro, deste ano, e Mohamed Merah em Toulouse e Montauban, em 2012, são outros exemplos.

Fonte turca garante que Ancara alertou a polícia francesa para as atividades de Omar Mostefai em 2014 e 2015 e que na altura nada foi feito.

As autoridades francesas terão pedido mais informações sobre este homem, mas só depois dos ataques em Paris. Um procedimento arriscado, dizem, os analistas e que é preciso rever no futuro para que o combate ao terrorismo se possa revelar eficaz.

A Euronews falou com Bertrand Badie especialista em Relações Internacionais e Professor de Ciências Políticas, em Paris, sobre o que está e pode ser feito para evitar ataques como os que foram perpetrados na capital francesa.

Mohamed Abdel Azim: Podemos dizer que depois dos atentados em Paris, a saída de Bashar Al-Assad passou para segundo plano face à luta contra o autoproclamado Estado Islâmico?

Bertrand Badie: “Diria que o governo francês está entre duas paredes, por um lado pode mudar o rumo da diplomacia, fruto da crise e dos eventos dolorosos da sexta-feira negra, o que é praticamente impossível; ou permanecer na linha que conduziu a um impasse. Digamos que esta escolha é intermediária: o governo francês mantém a linha que era a sua, uma linha favorável às ações de intervenção com todos os perigos que lhe estão associados, mas com uma certa modulação. Podemos olhar para o passo dado em relação à Rússia, para o meio passo ainda implícito na direção de Bashar al Assad, como alterações para adaptar a via diplomática.” Azim: Está a comunidade internacional mais unida face a este grupo depois dos atentados?

Badie: “O grande problema é que ele existe, ou seja, o que é o Daesh, uma ação contra o grupo radical ou vinda do Daesh? Respondemos a esta questão de forma demasiado fácil ao dizermos: “trata-se de uma guerra.” Mas a guerra na nossa memória europeia evoca outras coisas.
Evoca o confronto de poderes, o choque entre Estados, o confronto entre exércitos por territórios e fronteiras, mas também evoca a diplomacia pronta a agir e a começar as negociações … e nada disto com o Daesh. Por isso, simplificar a identidade desde grupo considerando-o um Proto-Estado e pensar que a melhor maneira de o atingir é através da guerra, parece-me realmente um erro.”

Azim: Na Era da globalização, a ameaça terrorista assenta em células adormecidas. O que pode fazer a Europa em relação a isto?

Badie: “O conceito de célula adormecida mostra-nos que hoje, não são os Estados e os exércitos que estão na linha da frente, mas as sociedades. Essa violência vem das profundezas da sociedade, é organizada por empresas especializadas. Tanto Daesh o como a Al Qaeda são empresários da violência, e nós continuamos a pensar na guerra como se fosse um choque de potências, choque de Estados, quando na realidade é consequência da decomposição e da transformação das sociedades. É por isso, no seio das sociedades que devemos pensar na nossa segurança. É preciso repensar, até mesmo, nas condições de funcionamento da sociedade francesa onde existem não só células adormecidas, mas que situações de frustração, humilhação, tensão, violência, rejeição e todo um conjunto de intolerâncias que estão na origem deste tipo de catástrofe. Depois é preciso pensar nas sociedades de origem, a iraquiana e a síria que se encontram em guerra porque o contrato social deixou de existir, porque se decompuseram. A melhor maneira de chegar à paz é através dos atores locais, mobilizando os atores regionais de forma a reconstituir o contrato social. Não estou certo que as intervenções das potências, dos Estados que vêm do exterior, e muitas vezes de longe, sejam uma forma de resolver este tipo de conflito.”

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