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Juan Pablo Escobar no berço do cartel Medellín

Juan Pablo Escobar no berço do cartel Medellín
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De  Euronews
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Durante uma visita à cidade francesa de Lyon, o filho do fundador do cartel de Medellín faz um retrato íntimo do pai, Pablo Escobar.

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É filho de um dos narcotraficantes mais poderosos de todos os tempos. Após a morte do pai, em 1993, Juan Pablo Escobar teve de mudar de identidade e fugir da Colômbia. Recusou ser numa nova versão de Pablo Escobar e preferiu passar uma mensagem de paz e de reconciliação por todo o mundo. Durante uma visita à cidade francesa de Lyon, o filho do fundador do cartel de Medellín faz um retrato íntimo do pai, na euronews.

#EtiquetaCaribe▶ “Por primera vez puedo hablar con la verdad de quién fue mi padre”: Juan Pablo Escobar. https://t.co/X4omuH5GHRpic.twitter.com/SDNWj8UwNg

— ETIQUETA CA®IBE MGTA (@etiquetacaribe) 23 de octubre de 2017

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<p><strong>Yolanda Sánchez, euronews: Durante muitos anos decidiu guardar silêncio sobre Pablo Escobar, nos últimos anos escreveu dois livros e participou num documentário sobre o seu pai. Porquê esta necessidade de falar agora sobre o assunto?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;Acredito que tenho esse direito &#8211; sendo eu seu filho; familiar e tendo acesso a tanta informação e evidências sobre a vida dele, no passado. Parece-me que a figura de Pablo Escobar tem sido utilizada para contar histórias que não são verdadeiras. E cabe-me a mim assumir, enquanto filho, este papel de dizer a verdade sobre Pablo Escobar. Não é uma verdade que me beneficia, pelo contrário. É uma verdade que faz do meu pai uma figura ainda pior do que é mostrado nos programas de televisão ou nos filmes.&#8221;

<p><strong>euronews: Muitas pessoas consideravam-no um Robin Hood e outras um traficante sem escrúpulos. Quem era ele realmente?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;O Robin Hood vem da imprensa.  Foi a imprensa que apelidou o meu pai de Robin Hood. Ele ocupou um espaço que não estava a ser preenchido pelo Estado. Construiu casas, hospitais, escolas e centros desportivos que o Estado nunca construiu e ganhou a simpatia das classes sociais mais abandonadas pelo estado. Também lhe garantiu a impunidade e a proteção durante muitos anos. E a vida do meu pai está repleta de contrastes, paradoxos, contradições&#8230; Construiu infraestruturas para que os jovens não consumissem drogas, mas financiava-as com o dinheiro da droga.&#8221;

<p><strong>euronews: O seu primeiro livro é dedicado ao seu pai por lhe ter mostrado qual o caminho que não se deve seguir. Quais as memórias que tem desse caminho?

<p>Juan Pablo Escobar: A pior violência que se pode imaginar. Nem Quentin Tarantino imaginou tanta violência como a que existe nesta família e no país que sofreu a violência que o meu pai causou.

<p><strong>euronews: E enquanto filho?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;Enquanto filho, guardo as melhores recordações dele como pai e as piores em termos de violência. A única coisa que todos os que escrevem sobre Pablo Escobar concordam é, precisamente, o amor incondicional pela sua família.&#8221;

<p><strong>euronews: Censura-o em relação a quê?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;Cara a cara, disse-lhe mil vezes que não gostava das bombas que colocava; do sequestros e da morte de pessoas, porque sabia que a violência que ele provocava se iria voltar contra nós.&#8221;

<p><strong>euronews: Três anos após a publicação do seu primeiro livro, o que mudou? Qual é a perceção da figura do seu pai agora?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;É evidente o desequilíbrio que existe entre a realidade da sua história e a realidade ficcionada que se quer vender sobre a vida do meu pai.  O sucesso desta versão vem de um único ingrediente &#8211; o da glorificação. Sei que iria vender milhares ou milhões de cópias se me dedicasse a fazer uma ode ao meu pai.

<p>Seria mau assumir uma posição contra o facto de contarem histórias sobre o meu pai porque eu também sou um contador de histórias. Creio que a diferença entre a minha forma de contar e a dos outros se resume a uma carta que recebi na apresentação do meu segundo livro na Argentina. Um menino de 13 anos entregou-me um envelope fechado e disse: &#8220;Desde os 8 anos  que sabia quem era o seu pai, porque a minha avó me contou a história e depois interessei-me pelos filmes e pelas séries e sempre quis ser um Pablo Escobar. Até ler o seu livro: agora quero ser jornalista.&#8221;

<p><strong>euronews: O que diria aos jovens que idealizaram a figura do seu pai e que querem ser como Pablo Escobar?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;Bem, convido-os a tomarem conhecimento da verdadeira história de Pablo Escobar. Não é a versão gloriosa e glorificada que se vê nas séries de TV sobre Pablo Escobar. Para quê ter uma mansão se não temos lá ninguém à nossa espera.

<p>Eu tinha o meu pai por perto, estava escondido com ele e estávamos rodeados de milhões de dólares e estávamos famintos. É suposto o dinheiro acabar com a fome. A nós trouxe-nos a fome; a morte; a violência e o desaparecimento de entes queridos. Muita violência que nunca terminou. Não aconselharia ninguém a entrar neste mundo porque não conheço traficantes de droga reformados.&#8221;

<p><strong>euronews: Mais de vinte anos após a morte de Pablo Escobar, a produção e o consumo de drogas estão a aumentar. O que está a falhar na luta contra a droga?

<p>Juan Pablo Escobar: &#8220;A luta contra a droga está perdida há décadas. Está perdido porque, claramente, o jogo sujo da proibição, é a melhor propaganda para incitar ao consumo de drogas ilícitas. Proibir é um grande negócio. Os mais beneficiados por este proibicionismo são as potências; são os norte-americanos.

<p>Porque é que nos mantêm entretidos com pequenos escândalos em todo o mundo, mas não nos contam o que eu revelo no meu novo livro, sobre as ligações do meu pai com a <span class="caps">CIA e com a <span class="caps">DEA sobre o tráfico de droga?&#8221;
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