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Nacionalismo na Córsega agita-se antes da visita de Macron

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De  João Paulo Godinho
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Nacionalismo na Córsega agita-se antes da visita de Macron

Milhares de pessoas saíram este sábado às ruas de Ajaccio em defesa de uma maior autonomia da Córsega face ao estado francês.

A três dias da visita do presidente de França, Emmanuel Macron, à ilha, os nacionalistas corsos, liderados pelo presidente do conselho executivo, Gilles Simeoni, reivindicam mais poderes - sobretudo a nível fiscal -, criticam a falta de diálogo do governo francês e exigem a amnistia para os nacionalistas que ainda se encontram presos.

"O que as pessoas me dizem na rua é que se nem conseguimos manter um diálogo com França, então significa que a Democracia está morta”, afirmou esta semana o líder corso, acrescentando: "Não concordo que bombas sejam mais eficazes do que dialogar, mas a questão é que se não falam connosco muitos cidadãos poderão achar que esse é o único recurso que lhes resta".

Depois de mais de quatro décadas de tensão e ataques terroristas, que provocaram a morte de pelo menos 40 pessoas, a Córsega agita-se novamente, recuperando a relação conturbada do passado com o continente, em que as armas apenas foram colocadas de lado definitivamente em 2014. Em causa nestes protestos esteve também o reconhecimento da língua corsa como um dos idiomas oficiais da ilha. Uma exigência que vai contra a Constituição nacional, que define o francês como a única língua do país, e contra o Executivo de Édouard Philippe, que chegou a demonstrar abertura para algumas mudanças na relação do poder central com a Córsega.

Os nacionalistas chegaram ao poder na Córsega em 2015 e reforçaram a sua força nas eleições locais de 2017, quando Gilles Simeoni conseguiu a maioria absoluta. Agora, a ilha - que conta com cerca de 330 mil habitantes e é conhecida por ser o berço de Napoleão - sonha com uma maior autonomia.

Recorde-se que a Córsega apenas passou a fazer parte de França após 1768, depois de as tropas francesas terem invadido a ilha até então italiana.