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Nicaraguenses denunciam repressão governamental

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De  Joao Duarte Ferreira
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Nicaraguenses denunciam repressão governamental

Na Nicarágua, um acampamento improvisado foi erigido no exterior da prisão de El Chipote, em Manágua.

"Todos os dias há cinco ou sete mortos. E cerca de 20, 30, 40 são raptados pelo governo"

José Medina Familiar de detido

É aqui que todos os dias se dirigem familiares de manifestantes da oposição detidos nos protestos antigovernamentais dos últimos três meses.

Os familiares procuram informações sobre os seus familiares e contam com o apoio de ONGs que já denunciaram atos de tortura.

"Conhecemos casos em que as pessoas foram sujeitas a torturas com água e com trapos na boca. Recebemos outras denúncias de jovens e de mulheres que foram vítimas de violações pela polícia nacional e forças paramilitares", adianta Braulio Abarca, ativista do Centro nicaraguense para a Defesa dos Direitos Humanos.

As ONGs contam pelo menos três centenas de pessoas distribuídas por várias prisões.

Os familiares prestam apoio alimentar aos detidos e preparam processos judiciais.

"Dormimos aqui, a céu aberto. À espera que se faça justiça e que libertem os nossos filhos" afirma Margarita Ortiz, outra mulher que aguarda a libertação de um familiar.

No exterior da prisão a euronews encontrou José Medina que nos disse que não conseguiu visitar o familiar que se encontra detido.

"Isto não é justo. Todos os dias há cinco ou sete mortos. E cerca de 20, 30, 40 são raptados pelo governo, polícia e forças paramilitares. Acho que o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo insistem em permanecer no poder à custa do sangue dos nicaraguenses", afirma Medina.

Há mesmo quem não saiba em que prisão se encontram os familiares. É o caso de Maribel Martínez.

"Ele foi detido em casa. Estava lá com a filha, Bateram-lhe muito. Depois levaram-no numa carrinha. Mas não sabemos para onde. Em Masaya disseram-nos que estava aqui. Agora estão mandar-nos para outro departamento", afirma.

Agora, todos receiam que o número de detenções vai aumentar.

O corresponde da euronews em Manágua, Héctor Estepa, afirma:

"Três meses de protestos antigovernamentais provocaram mais de 350 mortos e milhares de feridos. Os manifestantes da oposição denunciam a repressão levada a cabo por civis armados leais ao presidente Daniel Ortega. O governo discorda, afirma que a oposição está a ser paga por outros países e denuncia uma tentativa de golpe de estado".