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"Vida política norte-americana mais polarizada", diz Francisco Assis

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"Vida política norte-americana mais polarizada", diz Francisco Assis

Francisco Assis, eurodeputado
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A conquista da Câmara dos Representantes pelos democratas nas eleições intercalares norte-americanas vai complicar a vida política norte-americana, em particular a nível interno. Esta é a opinião do eurodeputado socialista, Francisco Assis que integra igualmente o comité de assuntos externos do parlamento europeu.

"Na política externa vai haver continuidade porque isto é uma marca do Trump"

Francisco Assis Eurodeputado, PS

Entrevistado por Isabel Marques da Silva para a euronews, Francisco Assis fala de polarização na vida política norte-americana.

Francisco Assis: A principal consequência é que isto vai polarizar a vida política americana e vai tornar o processo decisório mais complexo porque agora o presidente vai deparar-se com uma das câmaras que lhe é hostil. Até aqui tinha as duas câmaras favoráveis com duas maiorias republicanas, quer no Senado, quer na Câmara dos Representantes e agora na Câmara dos Representantes passa a existir uma clara maioria democrata. Isto significa que o processo decisório se torna mais complexo, potencilamente muito mais conflituoso, o que poderá levar em alguns momentos a uma paralisação da administração norte-americana, nós já tivémos exemplos disso no passado com outras administrações.

(...) Eu acho que na política externa vai haver continuidade porque isto é uma marca do Trump, uma política externa bastante belicosa desse ponto de vista. Não no sentido de uma guerra clássica mas no sentido das guerras comerciais. desde o momento que o Trump assumiu esta linha, essa linha identifica-o e suscita adesões, portanto, ele vai prosseguir por essa via que é uma via de a América em primeiro lugar, os interesses americanos, valorizar os interesses bilaterais partindo do pressuposto que os Estados Unidos estão sempre numa posição de superioridade, manter a conflitualidade grande com a China e provavelmente manter senão mesmo reforçar uma conflitualidade com a Europa sempre em nome da defesa do que ele considera serem os imediatos interesses de alguns setores produtivos americanos.