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Reforma laboral e na justiça da Hungria agrava protestos

Reforma laboral e na justiça da Hungria agrava protestos
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Reuters/Bernadett Szabo
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erca de 3000 pessoas deram força quinta-feira ao protesto contra a reforma laboral aprovada na véspera pelo governo liderado por Viktor Orb´an.

A nova lei permite aos empregadores exigirem mais trabalho extra, até um máximo de 400 horas anuais contra as 250 até agora, e compensa-lo aos trabalhadores num prazo alargado de três anos, seja em remuneração ou tempo de descanso.

O executivo húngaro defende esta reforma com a necessidade de permitir maior flexibilidade ao mercado de trabalho.

Para os húngaros que se têm manifestado diante do Parlamento, esta é uma auténtica lei de escravatura e esta é aliás a expressão pela qual a reforma está a ficar conhecida: "lei da escravatura."

A Euronews acompanhou por dentro este segundo dia consecutivo de protestos em Budapeste e ouviu uma manifestante de 68 anos dizer que estava "farta de pensar que há 30 anos vivia em democracia e numa republica".

"Temos de perceber de uma vez por todas que estamos a voltar a cair no mais sombrio feudalismo", alertou a nossa entrevistada.

Além da reforma laboral, o governo húngaro aprovou também uma reforma judicial, protegendo a administração pública do Supremo Tribunal, o qual deixa de ter a decisão final em disputas administrativas relacionadas com atos eleitorais e processos de corrupção.

A medida agravou o atrito entre o executivo de Orbán e o Parlamento Europeu, onde a Hungria já começou a ser alvo de punições devido a reformas que têm vindo a ser implementadas na Justiça nacional.

O governo prometeu manter independentes os novos tribunais criados com esta reforma, mas o ministro da Justiça terá um papel decisivo, por exemplo, na designação de juízes e no controlo dos orçamentos dos tribunais.

O correspondente da euronews em Budapeste, Daniel Bozsik, conta-nos que o protesto desta quinta-feira aconteceu sobretudo por causa da reforma laboral, mas também a reforma na Justiça não escapou às críticas escutadas diante do Parlamento.

Com a polícia uma vez mais pronta a intervir, alguns deputados dos partidos na oposição juntaram-se na rua aos manifestantes.

Viktor Orbán viajou, entretanto, para Bruxelas, onde esta sexta-feira termina um Conselho Europeu, marcado pela recusa em voltar do "brexit", mas no qual o líder húngaro não deverá escapar a alguns reparos por causa das recentes reformas nacionais aprovadas, em especial a do setor da Justiça.