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Bolsonaro: 100 dias de turbulência e perda de popularidade

Bolsonaro: 100 dias de turbulência e perda de popularidade
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REUTERS/Adriano Machado
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Esta quarta-feira, Jair Bolsonaro cumpre 100 dias desde que chegou ao Palácio do Planalto. Mas, se a presidência brasileira destaca o trabalho cumprido e os supostos sucessos dos primeiros meses do mandato, os números revelam uma realidade bastante diferente.

Muitas vezes comparado com Donald Trump, o chefe de Estado saído da extrema-direita voltou a recorrer ao Twitter para destacar realizações do governo até ao momento e diz ter concluído 95% das 35 metas estipuladas em janeiro para os primeiros 100 dias.

Mas um levantamento feito pela Gazeta do Povo revela que apenas 10 metas foram executadas integralmente.

Bolsonaro conseguiu, sim, ser o presidente brasileiro com a pior avaliação em termos de popularidade nos três primeiros meses de um chefe de Estado num primeiro mandato desde a redemocratização do Brasil, em 1985. Um estudo da consultora Datafolha revelou que o índice de aprovação de Bolsonaro caiu para 32 por cento.

Depois de chegar ao poder com os compromissos de lutar contra a corrupção e as "velhas políticas" e uma forte agenda securitária, o presidente brasileiro parece não ter chegado a beneficiar do tradicional "estado de graça" do início de mandato.

Os primeiros 100 dias ficaram, sobretudo, marcados por conflitos no governo, trocas de insultos tanto com rivais como aliados e polémicas como as suspeitas de corrupção contra um dos filhos, a decisão de autorizar as comemorações do golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil ou as afirmações, durante a recente visita a Israel, de que o nazismo foi um conceito saído das ideologias de esquerda.

Como se não bastasse, em vésperas da data simbólica, o estudo da Datafolha revela também que 40 por cento dos brasileiros acreditam que a corrupção vai aumentar nos próximos anos e o Fundo Monetário Internacional reviu esta terça-feira em baixa, para 2,1 por cento, o crescimento económico do país para 2019.